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Jerônimo Borges de Carvalho: Foi Gente que fez!

Monday, 23 de January de 2012

1º Prefeito Municipal de Pindaí – 1963 a 1966 e 1971 a 1972 Jerônimo Borges de Carvalho nasceu no dia 05 de julho de 1905, na Fazenda Colher, filho de Joaquim Borges de Carvalho e Benedita Lopes da Silva, tendo desde cedo um destaque especial no seio dessa família, demonstrando forte potencial de liderança e tendência para a política. Casou-se com Mariana Ribeiro de Carvalho, filha do seu tio Manoel Borges de Carvalho e da união nasceram dois filhos: Manoelito e Lourdes. Viúvo ainda jovem, teve outros filhos: Ildelfonso (falecido), Inês Maria (falecida), Sebastião e Vânia. Em dezembro de 1954 casou-se com Danúzia Silva Barros de Carvalho e desse casamento nasceram três filhos: Jerônimo Filho (falecido), Antônio Eustáquio e Marta de Cássia. Tornou-se fazendeiro, usineiro, comerciante e dono de grandes habilidades no trato popular, não demorando a se infiltrar na política, tornando-se vereador e depois Prefeito no município de Urandi, aliado do líder Joaquim Ribeiro, na década de 50. Foi o proprietário da primeira farmácia da Povoação de São João da Gameleira, adquirindo também conhecimentos práticos que foram muito importantes no socorro às pessoas, numa época em que o médico vinha por aqui muito esporadicamente. Fazia atendimentos a crianças com pés tortos, consertando-os com talos de bambu, utilizava o mesmo procedimento em braços e pernas quebradas, fazia pequenas cirurgias e receitava com muita precisão medicamentos para as doenças mais comuns da época. Sua casa era um espaço muito diversificado: Ali ele morava, recebia autoridades, amigos, gente do povo e o salão que lhe servia normalmente de escritório, transformava-se, quando necessário, em consultório médico para Dr. Galba, Dr. Dantas, Dr. Laerth, Dr. Carlos, Dr. Sandoval, Dr. José Humberto e Dr. Ginaldo. Autoridades do Judiciário também utilizavam o espaço para resolver problemas relacionados com o Distrito de Pindaí, como os Juízes Dr. João e Dra. Carmem, o Promotor Dr. Cordeiro, os advogados Lindolfo Nunes e Luis Gomes. Nos períodos que antecediam às eleições municipais era lá que funcionava também o Cartório de Registro Civil para garantir o documento de pessoas que iam votar pela primeira vez e não possuíam a certidão de nascimento, documento indispensável para fazer o título eleitoral. Era comum também, no mesmo espaço, a presença de pessoas que treinavam os eleitores na assinatura de seus nomes. A residência de Jerônimo Borges era também um ponto de apoio para o pessoal da zona rural. Era comum a presença de pessoas para tratamento ou mulheres grávidas que vinham ganhar seus filhos em Pindaí. Para todos havia guarida e bom atendimento, não faltando assistência e nem alimentação farta e de boa qualidade. Nos finais de tarde, para a casa de Jerônimo Borges deslocavam seus amigos mais íntimos, para falar principalmente de política. Rotineiramente, entre um papo e outro, era servido o cafezinho, acompanhado com bolo ou requeijão e, sentados em semicírculo, era comum encontrar: Epaminondas, Tibora, Eduardo, Durval Borges, Sílvio Neves, Juca Borges, Tião Calango, Gerson Borges, Hermógenes, Hosano, Nô Feliz, Gasparino e outros. Mas sua residência era também passagem obrigatória de amigos e conhecidos, principalmente nos dias de sábado, por ocasião da feira livre. Por lá passavam semanalmente, Thales Fausto, João Dourado, Nenem Camargo, Gilson Tibo, Everardes, Leão Soares, Germino Barbosa, Tico do Caldeirão, dentre outros, para os cumprimentos e um dedinho de prosa. O conhecimento adquirido na vida pública e o prestígio conquistado com lideranças no Estado da Bahia serviram de estímulo para que ele passasse a almejar a emancipação política do seu distrito. E esse foi o sonho que passou a defender, até alcançar seus objetivos, recebendo do então governador Juraci Magalhães a autorização Emancipatória, através da Lei Estadual nº 1617 assinada no dia 13 de fevereiro de 1962 e publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia do dia 20 de fevereiro de 1962, estabelecendo o desmembramento do Distrito de Pindaí do município de Urandi. Uma grande recepção foi organizada para receber Jerônimo Borges no mês de fevereiro de 1962! Alunos com uniformes, portando a Bandeira Nacional, professores, moradores e pessoas que moravam próximas a Pindaí foram para a estrada que ligava Pindaí a Guanambi (atualmente saída para Mucambinho) receber o grande líder que ficou em Salvador aguardando a publicação da Lei Emancipatória, dizendo que somente retornaria a Pindaí após ter em mãos um exemplar do Diário Oficial. Sua chegada foi emocionante! Saltou do carro com o diário na mão direita em punho e imediatamente homens se aproximaram dele e num gesto de alegria e entusiasmo colocaram Jerônimo Borges nos ombros e assim o trouxeram até sua residência sob os aplausos dos populares com gritos de viva. Uma grande festa foi planejada para ser realizada na praça da feira. Uma enorme vala seria aberta para a colocação de pedaços de lenha que deveriam virar brasas e ser utilizado pelas pessoas que pegariam nas barraquinhas armadas dentro do barracão seu espeto de carne e assar. As carnes seriam preparadas por Maria Lopes da Silva e Jovina Lopes da Silva (irmãs de Jerônimo Borges) juntamente com outras cozinheiras. Maria Lopes, conhecida como Maria de Coluna era na época considerada a maior cozinheira e boleira de Pindaí. Qualquer alimento tocado pelas suas mãos tomava um sabor especial e sempre que havia alguma festividade sua presença era requisitada, inclusive nos almoços para autoridades oferecidos por Jerônimo Borges em sua residência, sempre aberta para receber pessoas, desde as mais simples, até as mais ilustres! Estava tudo certo, mas a festa não aconteceu porque poucos dias antes da data planejada para sua realização, faleceu no Rio de Janeiro com 27 anos de idade o jovem Nilton Borges de Carvalho, filho de Juca Borges e sobrinho de Jerônimo Borges. De qualquer forma Pindaí já estava desmembrado de Urandi e era necessário ainda promover a organização do organismo independente. As eleições de 15 de novembro de 1962 confirmaram o reconhecimento do povo pindaiense ao líder de sua emancipação e Jerônimo Borges tornou-se o primeiro prefeito de Pindaí, tomando posse juntamente com sete vereadores no dia 7 de abril de 1963, data que o povo pindaiense comemora a instalação do município de Pindaí, já que nesse dia foi oficializada a posse dos seus dirigentes. Terminado seu primeiro quadriênio de governo, apoiou nas eleições do ano de 1966 Juarez Tudes Novato, como candidato único a Prefeito, , nas eleições de 1970 voltou a se candidatar. Eleito, cumpriu o chamado “mandato tampão” de dois anos. Nesse período o Governo Federal queria fazer a unificação dos períodos de eleições e o ano de 1972 seria o ponto de partida. Nessa fase inicial de governo, muitas dificuldades existiam, principalmente de ordem financeira, que atingiam os municípios de menor porte. Certo mesmo era o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que era recebido em parcela única no Banco do Brasil de Espinosa e o ICMS que vinha em conta gota, esporadicamente, dependendo da arrecadação feita por órgão da Receita Estadual. Os recursos eram suficientes apenas para pagamento de funcionários e manutenção precária das necessidades do município. Convênios quase não existiam e ao contrário dos dias atuais não existiam verbas carimbadas especificamente para educação e saúde. Jerônimo Borges de Carvalho representou em Pindaí a mais expressiva liderança política do século XX. Atuou como governante e como ponto de apoio para tantos outros administradores, numa fase em que predominava, principalmente no Nordeste Brasileiro, o coronelismo, caracterizado pela centralização das ações, no âmbito do governo dos municípios e dos estados. Era natural, portanto, caber a ele todas as decisões e render-lhe obediência todos os setores que compunham o município. Mesmo transvertido de tanta autoridade, era um homem simples e polido, com hábitos refinados, que tratava com igualdade a todos, sentando-se na sua mesa para as refeições quem chegasse, não importando ser autoridade ou uma pessoa do povo. Redigia documentos com precisão, apesar de ter freqüentado uma escola por somente 60 dias, como costumava dizer e no município de Pindaí, representou por muito tempo o político, o farmacêutico, o médico, o advogado, o professor. Faleceu no dia 23 de maio de 1991, com 86 anos de idade e seu sepultamento comprovou a grande admiração e amizade do povo pindaiense pelo seu líder maior, registrando na oportunidade a presença de um número enorme de pessoas de todas as localidades e da região para o adeus final. Neste ano em que comemoramos o cinqüentenário da Emancipação Política de Pindaí e o fato de existir uma associação muito forte do evento com a figura do Patrono desse acontecimento, é com grande alegria e reconhecimento que afirmamos: JERÔNIMO BORGES DE CARVALHO FOI GENTE QUE FEZ! Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Gente Que Fez & Gente Que Faz

Tuesday, 17 de January de 2012

Sdenir de Freitas Araújo – Foi Gente Que Fez! Sdenir de Freitas Araújo nasceu em Pindaí no dia 19 de novembro de 1938, filho de Epaminondas de Castro Araújo e Sinvalina de Freitas Araújo, que também têm como filhos Silvanir, Edília, Sílvia (falecida), Eurides, Assunção e Neide. Seguindo os passos de seu pai, que manteve durante muitos anos um estabelecimento comercial na antiga Praça do Mercado, atualmente Praça Luis Eduardo Magalhães, Sdenir entrou para o ramo dos negócios, mantendo a freguesia que era atendida pelo Sr. Palmir e conquistando, desde o início, mais fregueses. No ano de 1969, Sdenir de Freitas Araújo contraiu núpcias com Laurita Caíres Aranha Araújo, nascendo dessa união cinco filhos: Sidiney, Ricardo, Harlan, Hamilton e Denise, além de Marcelo, que é filho adotivo. Os netinhos, Laura e Sdenir Neto, filhos de Ricardo e Lene e Natasha, filha de Hamilton e Fernanda, chegaram também para aumentar e trazer alegrias novas para a família. Com a mudança da feira livre na década de 60, efetivada com a construção de um mercado novo, onde atualmente é a Praça Genebaldo Correia, Sdenir iniciou novos rumos comerciais, com a construção do primeiro supermercado de Pindaí, denominado Supermercado Araújo, com novas perspectivas de crescimento econômico e maiores opções de compras para a sociedade pindaiense. Procurou também, de forma organizada e perseverante, inserir seus filhos no ramo comercial, com a ajuda e dedicação de sua esposa Laurita, mulher detentora de grande simpatia e tino para os negócios, qualidades herdadas de sua mãe, Celina Caíres. O esforço foi coroado de sucessos, pois Sdenir e Lita têm nos filhos a continuação do trabalho que iniciaram. O Supermercado Araújo está tendo continuidade através de Ricardo e Hamilton; o Supermercado Pindaí está sob a responsabilidade de Lita, Harlan e Denise; no térreo de um prédio de três andares, construído nas imediações do mercado, a Ponte Vídeo é mantida por Sidiney; a loja Neto Magazine é administrada por Marilene Ferreira Chaves Araújo, esposa de Ricardo e Marcelo, direciona um comércio que é filial do Supermercado Pindaí. Sdenir gostava de ler, tinha um conhecimento amplo de todos os assuntos que discutia nas conversas com os amigos, admirava a Geografia e vivia pesquisando nos atlas e livros a situação dos países. No ano de 1976, concorreu ao cargo de Prefeito de Pindaí e, mesmo bem votado, não alcançou a vitória. Tinha uma vida tranquila e ordenada, mas começou a ter alguns problemas de saúde. Para garantir melhor condição de vida, fazia longas caminhadas e foi exatamente, após percorrer um longo trecho, que seu coração não resistiu e, ao sentir um mal estar, no dia 4 de abril de 1999, teve morte súbita, deixando enorme saudade nos corações de sua esposa, filhos, familiares e amigos. Sdenir de Freitas Araújo foi um homem progressista, contribuindo com sua luta para o desenvolvimento de nossa terra. Foi bom filho, bom esposo e bom pai, deixando no seio da família que construiu, a semente do trabalho, da união e da luta incessante de disseminação de crescimento para a terra que ajudou a crescer, fazendo parte da construção de sua história. É por essa razão que podemos afirmar: SDENIR DE FREITAS ARAÚJO foi GENTE QUE FEZ! Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Gente Que Fez & Gente Que Faz

Monday, 9 de January de 2012

Foto: Vanessa Valerie Gomes de Bustamante Sá – Neta de Dalva Borges de Azevedo. Nesta foto ela está num haras, ao lado de um cavalo, pertencente ao Advogado João Luiz Cotrim Freire, gentilmente cedido a ela, quando esteve em Guanambi, para praticar seu hobbie preferido que é o hipismo. Vamos iniciar neste ano de 2012 a coluna semanal Gente Que Fez & Gente Que Faz com o objetivo de homenagear pessoas que estiveram e estão presentes na construção do município de Pindaí, lembrando que esta é uma forma muito importante de homenagear nossa terra, no ano em que completa 50 anos de Emancipação Política, ressaltando pessoas que efetivamente fizeram parte desta trajetória ou ainda estão dando continuidade ao seu processo de desenvolvimento. Para começar, vamos falar de uma pessoa muito especial, que já foi chamada por Deus, cuja família tem muitas ramificações em Pindaí, mesmo estando a prole mais próxima residindo em São Paulo e até fora do país. Dalva Borges de Azevedo era conhecida como “Dalva de Nêgo”. Nasceu na Fazenda Feliciana, filha de Joaquim José de Matos e Francisca Ferreira de Carvalho, em 23 de dezembro de 1923. Casada com Francisco Gomes de Azevedo, residiu inicialmente na Fazenda Retiro e depois de algum tempo passou a morar em Pindaí numa casa já demolida, que se localizava em frente ao Hotel Pereira. Foi ai que nasceram pelas mãos de Mãe Mariazinha os sete filhos do casal: Leonor Gomes de Lélis, Eulália Gomes Mateus, atualmente renomada Advogada em São Paulo, Carlito Borges Gomes, Jorge Borges Gomes, Maria Lúcia Borges Gomes (Malu), Estelina Gomes Gonçalves e Maria Gleide Gomes. Por volta de 1962 resolveram morar em São Paulo pensando em dar mais oportunidades de crescimento aos filhos e propiciar melhores condições para a saúde de Dalva, num problema que ela tinha na perna direita. Quis o destino que essa mudança não desse certo. Com mais ou menos sessenta dias em São Paulo, as coisas andando, a vida de Francisco Gomes de Azevedo foi subitamente ceifada por um acidente, quando ele atravessava uma linha férrea e foi pego pela máquina. A volta da família para Pindaí foi providenciada, com grande sofrimento! Forte e destemida, Dalva Borges de Azevedo não se deixou abater pelas dificuldades. Criativa, trabalhadora e com grande empreendorismo buscou a descoberta de suas tendências artísticas e empresariais e foi à luta, depois de ter permanecido por mais ou menos dois anos com os filhos em Pindaí, tendo voltando para morar em São Paulo. A partir daí começou a fabricação manual de peças lindíssimas de crochê e bordados e entrou também no ramo de vender ouro, conservando uma clientela grande em Pindaí e região. Muita gente tem guardado com carinho, toalhas, colchas, correntes de ouro e outras peças adquiridos dela, que com grande habilidade conquistava seus clientes com um sorriso simpático e espontâneo, conversa convincente, nunca deixando de vender suas mercadorias a quem procurasse. O falecimento de Dalva Borges de Azevedo ocorreu em 20 de maio de 2003 em São Paulo e sua partida representou uma lacuna muito grande no seio da família que ela bravamente criou, deixando um legado de boa formação, tendo alguns deles herdado o lado empresarial que ela tão bem desenvolveu em vida, o que garante boa estabilidade e segurança para seus descendentes. Recentemente estiveram em Pindaí para uma visita, suas filhas Eulália Gomes Mateus, com o esposo Ademir Mateus, Estelina Gomes Gonçalves, com o esposo Edison Gonçalves e Maria Lúcia Borges Gomes (Malu), com sua filha Vanessa Valerie Gomes de Bustamante Sá, uma jovem com uma história bonita, recheada de sucessos e que pretende resgatar suas raízes no município de Pindaí, através de uma Fundação que terá o nome de sua avó, com sede na Fazenda Feliciana, local onde Dalva Borges nasceu. Tendo conhecimento das limitações de frequentar uma escola que teve sua avó, e, sensibilizada com a realidade que cerca as crianças da zona rural, em especial, está buscando contribuir para que haja naquela localidade algo novo e que possa acrescentar melhoria de vida para aqueles que serão responsáveis pelo futuro, partindo exatamente da educação, voltada para a sustentabilidade ambiental. Para ela é muito importante buscar condições melhores para o público infantil, estendendo o trabalho aos demais segmentos, que envolvidos, poderão contribuir grandemente para o sucesso do empreendimento. Pretende como parte de seu projeto, visitar a sede da Green School em Bali – Indonésia, um espaço que tem como foco ser um modelo de educação sustentável, preparando uma geração segura de seu papel no mundo. Vanessa pretende fazer algo parecido e adaptado às condições de nossa realidade, de forma a atingir seu público alvo naquela fazenda, berço de suas raízes. Vanessa Valerie nasceu na cidade de Paris, capital da França em 02 de dezembro de 1982. Veio para o Brasil com 22 dias de nascida e desde os três anos de idade foi matriculada no Licee Pasteur Français em São Paulo, escola que permitiu a ela um forte vínculo com a Língua Francesa, ai estudando até a conclusão do 3º colegial. Seguiu depois para a França e, enquanto decidia o que fazer, procurou se ambientar ao país, fez novas amizades e alugou seu primeiro apartamento. Foi em seguida para a Inglaterra fazer o curso de Inglês e naquele país cursou Faculdade de Modas na Central Saint Martin em Londres. No Istituto Marangoni em Milão, na Itália fez o Curso de Fashion Business, mas escolheu a cidade de Londres para residir e montar sua empresa,onde absorveu na mão de obra estagiários da Universidade onde se formou, preparando-se no momento para lançar no mercado a marca Van Bustamante com uma jaqueta feminina em couro, confeccionada a partir de materiais tecnológicos, com modelos transformáveis que permite alterar a forma de usar. A jaqueta já está sendo divulgada na famosa Revista Lofficiel de Paris e, com certeza será sucesso garantido na Europa e no Brasil, principalmente. Seu empreendimento, porém, não pára por ai: Seu objetivo é continuar utilizando a transformação para outros itens da vida diária, utilizando seu forte potencial artístico em prol desse objetivo. Para quem conheceu Dalva Borges de Azevedo e teve oportunidade de conviver com ela, não é surpresa estar à frente de seus filhos e netos e constatar o dinamismo e simpatia que cada um irradia, fruto de uma educação bem estruturada e sedimentada num propósito de desenvolvimento. É por essa razão que podemos afirmar: DALVA BORGES DE AZEVEDO foi uma pindaiense batalhadora, lutadora e corajosa! Ela foi Gente que fez! Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Jane Maria Avelina Novato Meireles: Charme, simpatia e inteligência de uma pindaiense por opção!

Friday, 30 de December de 2011

“Pessoas especiais deixam mais que saudades e lembranças, pois elas levam mais do que nosso pensamento... levam uma parte de nosso coração”! (Aline de Campos) Quando recebi e li a entrevista que preparei para esta semana, confesso que uma miscelânea de sentimentos antagônicos brotou em mim, à medida que lia as respostas dadas pela entrevistada: Sorri, dei gargalhadas, chorei, senti saudades, me emocionei, viajei de volta ao tempo, reencontrei pessoas e situações e fiquei completamente embevecida com a fluência de idéias dessa “menina, moça, mulher” que com precisão de detalhes - característica das mentes privilegiadas - relembrou minuciosamente sua passagem por Pindaí, não se esquecendo de citar pessoas que estiveram ao seu lado, numa franca demonstração de que realmente viveu aqui uma etapa que marcou sua vida. Estou falando de Jane Maria Avelina Novato Meireles, nascida em 20 de março de 1964, filha de José Tudes Novato (Tudinho) e Maria José de Figueiredo (Dona Dé). Ela estudou as séries iniciais em Caetité, onde também cursou a 5ª série, transferindo-se depois para o Centro Educacional de Pindaí, onde cursou a 6ª e 7ª séries, concluindo o Ensino Fundamental no Colégio S.S. Sacramento (Sacramentinas) em Salvador. Depois disso seguiu para Belo Horizonte para fazer o Ensino Médio no Sistema Pitágoras, ingressando posteriormente no curso de Direito da UFBA – Universidade Federal da Bahia no ano de 1984, graduando-se em 1990. Especializou-se em Direito Urbanístico e atualmente é Procuradora Geral em Mata de São João, na Bahia. A entrevista que ela nos concedeu fecha com “chave de ouro” neste ano, o trabalho de divulgação de nossos destaques, iniciado em janeiro de 2011 e vai oportunizar aos nossos leitores conhecer um pouco mais desta caetiteense por nascimento, mas pindaiense de coração e por opção. Com grande merecimento, Jane é o destaque da semana do Portal Pindaí: Portal Pindaí - Apesar de você não ter nascido em Pindaí, esteve por algum tempo nessa terra e com certeza é pindaiense de coração. Vamos falar de lembranças? Recordações? Jane - Querida Lia, nunca tive dúvidas do meu imenso amor por Pindaí, cidade que acolheu a mim e a minha família em tempos pretéritos. As lembranças dos momentos vividos são latentes e, foi assim, que eu me entreguei às reminiscências... Eu tinha doze anos de idade, nos idos de 1976, quando fui, efetivamente, morar em Pindaí. Meu pai (Seu Tudinho) havia adquirido uma propriedade do seu pai (Juca Borges) às margens de uma estrada federal e ali implantado um posto de gasolina lindeiro à nossa residência. À época o posto, que se chamava Suçuarana, ficava distante do centro da cidade e eu me sentia solitária e insegura por muitas vezes...mas isso foi por muito pouco tempo...logo, logo estava matriculada no Centro Educacional de Pindaí – CEP e principiando uma das fases mais importantes e mais prazerosas da minha vida. A vivência no CEP merece destaque memorial: Foi lá que conheci e convivi com muitos do que são hoje os meus melhores amigos, a exemplo de Zilda Veiga (Dida) e Lia Borges, pessoas com as quais mantenho contato até os dias hodiernos. Também jamais poderia me esquecer dos mestres e amigos que circulavam por aquele prédio de destaque educacional, a exemplo de Dona Verbena (com as maravilhosas aulas de “Educação Para o Lar” e “Programa de Saúde” e receitinhas bem elaboradas). São várias as receitas culinárias de Dona Verbena, mas tem uma especial que se chama “Joanitinhas” (é um doce de banana com coco, enroladinho como brigadeiro, passado no açúcar e com um cravo-da-índia no centro). Maravilhoso... É a lembrança mais doce daquele caderninho estilizado de receitas, todo decoradinho com gravuras de bolos, doces e salgados recortados das revistas... E como não lembrar Dona Assunção e as suas fantásticas aulas de Português Brasileiro, com relevo para as aulas de redação? (uma vez eu até ganhei o concurso da melhor redação e o prêmio foi um álbum de fotografias). Dona Assunção adorava prender os cabelos com lenços das mais diversas tonalidades e cores. Eu adorava os lenços de seda da Professora Assunção! Tinha ainda as aulas de Matemática com o Professor Haírton Aranha (eu morria de medo do Professor Haírton, sempre austero, compenetrado e eficiente no seu mister). Mas a Matemática foi o meu algoz por toda a vida, uma espécie de capitão-do-mato, sádica, perversa... Ah! A Matemática... As aulas de Geografia eram com o Professor João Porto (foi com ele que eu soube, pela primeira vez, da existência de um país chamado Kuwait). O interessante é que, quando da Guerra no Golfo Pérsico, com o Kuwait em evidência, eu sempre me lembrava desse saudoso Professor! As aulas de Artes Plásticas eram com a Professora Lia Cotrim, carinhosamente chamada “Lia de Bené” - ainda, em tenra idade, eu tinha sido a sua daminha de honra quando do seu matrimônio. Lembro-me até hoje do porta-alianças azul-marinho com frisos dourados - Eu amava as aulas de Artes...o colorido do papel laminado, do papel camurça, crepom, seda...(aprendi diferenciar e conhecer esses papéis com a Professora Lia). Fazíamos trabalhos lindos em todas as ocasiões, todavia destaco os da Páscoa...Uma certa vez fizemos no caderno de desenho, com o uso dos papéis outrora listados, um cálice, com uvas e trigo (símbolos do cristianismo) e ainda fizemos um coelhinho com corda de sisal e feltro. O rostinho do coelho era de feltro laranja e a roupinha marrom. A professora Lia dizia que laranja e marrom era uma excelente combinação de cores e, incrível, até hoje eu admiro essa sugestão! Esse coelhinho enfeitou o meu quarto por muitos anos e depois o quarto do meu sobrinho José Adolfo. As aulas de Educação Física eram dadas pelo professor Antonio Aranha no campo de futebol da cidade. Lembro-me bem que em tempos chuvosos o campo ficava todo florido com os lírios do campo (as pessoas mais antigas chamavam os lírios de “cebola de urubu” e, até hoje, eu não entendo o porquê). O Professor Antonio Aranha também era rigoroso e tem um episódio engraçado que o envolve, o qual passo a narrar: Todas as segundas-feiras a gente se enfileirava defronte ao CEP para cantar o Hino Nacional. Eis que, num belo dia, por iniciativa minha, encontramos (eu, Dida e Ritinha de Nélson) um farrapo, bem farrapo mesmo e o dependuramos em um graveto, fazendo remissão à Bandeira do Brasil. O Professor Antônio Aranha ficou indignado e nos encaminhou para a Diretoria. Foi um escândalo... Nenhuma de nós nunca tinha ido para a Diretoria. Dona Assunção, Dona Verbena e você, Lia Borges, ficaram perplexas! Desde o ocorrido nunca mais brinquei com a Bandeira e aprendi a lição de respeito aos Símbolos Nacionais. Outra professora que me marcou muito foi Eldivina (Dona Vininha). Tínhamos aulas de OSPB e Religião com uma precisão histórica impressionante! Essas aulas despertavam em nós os melhores sentimentos cívicos, cristãos, fraternos e solidários. Esse trabalho com certeza, concorreu para que todos nós, crianças à época, em adultos melhores. Eu tinha e tenho um apreço muito especial por essa mestra e amiga. Já as aulas de Inglês e História eram ministradas pela ora entrevistadora Lia Borges... Preciso respirar fundo para que a emoção não macule a coerência da narrativa. Isso porque eu fui aluna e sou amiga de um dos melhores seres humanos que conheci na vida. E, certamente, todas as lições imorredouras por ela outorgadas marcaram de forma indelével a minha personalidade e a minha trajetória de vida. Tenho um prazer especial pelo conhecimento, seja ele literário, histórico, popular ou jurídico...e para isso eu fui motivada, bastante motivada...As aulas de História eram mágicas e surpreendentes (desde a História do Brasil até a História Mundial). Lembro-me, com uma clareza solar, das aulas sobre a Segunda Guerra Mundial (Nazismo, Fascismo, etc) e da sua sutileza elegante ao falar sobre o golpe de 1964, já que vivíamos, naquela época, em plena Ditadura Militar. As aulas de Inglês eram um sucesso! Até hoje eu sei um texto do nosso livro de Inglês que retratava um diálogo entre um garçom e um cliente no restaurante (Bring me ham and eggs, a roast chicken, Green salad... e por aí vai). O CEP era o nosso mundo melhor...mundo do conhecimento e das alegrias juvenis. Lembro-me do nosso recreio, das guloseimas da cantina, da caderneta de débitos (o famoso fiado) - bom rememorar que as nossas dívidas estão prescritas -, do pastel de Dita, das descobertas e das amizades... A cantina do CEP era o sonho de qualquer guloso (doces de abóbora em formato de coração, doce de banana na forminha comestível, maria-mole, suspiro, chicletes ping-pong e ploc). Com o dinheiro contadinho ou, às vezes, sem dinheiro algum, nem sempre a gente podia se deleitar... Daí, por sugestão sua, foi criada a cadernetinha para que a gente não se privasse dos desejos. E a alegria foi tanta que a gente extrapolou... Todavia, como antedito, os débitos estão prescritos, e eu sei que desde o início, mais do que auferir lucro, você queria mais é que a gente fosse feliz! E por que não falar de amigos da escola? Pindaí me proporcionou grandes e eternas amizades como a de Zilda Veiga (Dida), parceira de todas as horas, de todos os momentos. Foi a ela que eu confidenciei o meu primeiro sutiã, a primeira menstruação, o primeiro amor ao estilo Romeu e Julieta, os anseios mais secretos. Fazíamos juntas os trabalhos da escola, onde o mais importante era a capa - toda desenhadinha com o Pato Donald, Mickey, Mônica, Cebolinha - jamais o conteúdo. Lembro-me bem que a gente se reunia na Casa do Senhor Tibora, pai da minha amiga Rita e da minha amiga Zilda (essa é outra Zilda) para fazermos os trabalhos. E a gente dançava a tarde inteira (Rita tinha uma vitrola e vários discos de Martinho da Vila, Agepê, Fernando Mendes, José Augusto, etc), e a música que a gente dançava era uma de Martinho da Vila que tinha o seguinte refrão “você não passa de uma mulher... menina-moça também é mulher”, e o tempo passava e nada de trabalho pronto, só a capa estava pronta. Aí o desespero era geral! Quantas vezes fomos chorar no seu ombro para que você dilatasse o prazo de entrega do trabalho com as nossas mais sinceras escusas? E a gente mostrava a capa toda desenhadinha e com fitinhas nas laterais para você se emocionar. E então? Prazo concedido!! E aí começava tudo de novo, trabalho novo, capa nova, disco na vitrola e o tempo passando... Juntas, eu e Dida, fundamos o Clubinho Raul Seixas. Ele funcionava na casa adjacente à sua e também de propriedade de Seu Juca Borges, onde, tempos mais tarde, foi implantado o Hospital Municipal. Foi você quem nos cedeu o imóvel para mais um sonho juvenil. As tardes no clubinho eram maravilhosas... Trazíamos merenda de casa (beiju, requeijão, lata de marrom-glacê) e escutávamos música em uma vitrola antiga que minha mãe (Dona Dé) havia cedido para o clube. Também fazíamos apresentações de música e dança e tínhamos vários recortes de jornais e revistas contendo notícias de Raul Seixas, bem coladinhos nos cadernos de desenho. A gente também tinha várias notícias colacionadas da atriz Lídia Brondi. Eu amava e amo os meus amigos de Pindaí...Com todos eles tenho uma história para contar e isso custaria páginas e mais páginas escritas. Todavia, jamais posso deixar de mencionar a grande amizade que nutro por Marta Borges, minha querida amiga de travessuras e traquinagens... Era com Marta que eu badalava o sino da igreja em horários incongruentes, deixando Sá Lió possessa! Para trás ficavam as vassouras e outros instrumentos utilizados para alcançar a corda que guiava o badalo do sino. E a gente se abrigava na casa de Maria de Seu Nô, no Bar do Senhor Tião Calango e tantos outros, para juntas nos divertirmos com os xingamentos de Sá Lió: “Isso é coisa da lesma de Tudim, da foguete de Jeromo Borge, da Tifuti de Duvige e uma tal de Orela”. Isso porque a minha amiga Eliane, filha de Edwirgens, também participava da brincadeira algumas vezes, como também a minha prima Aurélia. E são tantas histórias e tantos amigos que eu vou tentar ser mais concisa. Outra amiga de importância singular é Maria Dolores Veiga (Dola) e sua paixão incontestável por Roberto Carlos. E como esquecer Joelita? Amiga de valor que passava grande parte do tempo comigo quando eu ainda morava no Posto Suçuarana. A mãe dela, Dona Lió, costurava lindos vestidinhos para a gente com tecidos que ela trazia de São Paulo ou adquiridos nos mascates da feira nos dias de Sábado. E tinha Ritinha de Nélson que me apelidou de “Quatro olhos” e “Galinha Cega”, praticando, na vanguarda, o famoso “Bulliyng”, tinha Isaura, Iraci, Edite, Laudi, Agmarina, Glória, Valdite, Suzelene, Soraya, Geralda, Dina, Terezinha (Na casa da roça de Dina e Terezinha era feita a melhor pamonha de milho do mundo), Ilídia, Lucinha de Migdom (Seu Migdom era marceneiro e foi dele a idéia de fazer uma estante pequenina de madeira para que eu pudesse brincar com as minhas bonequinhas de papel), Silvan, Sil, Lurdete, Lourdes do Sr, Otacílio, Betinho (quantas saudades de Betinho, outro amigo de travessuras – Lembra-se Betinho de quando a gente andava, eu, você, Juarezinho e Aurélia na estrada federal para poder ver a “Aurora do Dia”?), Jesus Aparecido, Isauro, Dondinha, Wagner, Sissi, Carmélia, Maria Gorete (Nem), Marivone, Rita e Zilda de Tibora e tantas outras pessoas com quem tive o privilégio de conviver... E tínhamos tantas atividades e tantas alegrias que esta última se potencializava com a chegada do circo na cidade. Ficávamos todos alvoroçados com a chegada do circo e separávamos as roupas domingueiras para o espetáculo. O mesmo circo se aportava em Pindaí em períodos distintos e a gente já conhecia os seus integrantes: o palhaço “Moleza” e a menina Isabel (que tinha um sinal no rosto característico). Ela dançava rumba e mambo e escalava o trapézio, também atuava em outras apresentações como coadjuvante. Eu e Dida éramos amigas da menina Isabel. Uma vez a presenteei com uma das minhas melhores bonequinhas de papel e foi com ela que eu aprendi que a vida também tinha sentimentos pouco ortodoxos como, por exemplo, a traição. Não obstante tanta atenção e carinho, eu fui covardemente traída pela menina Isabel que tentava se encontrar, furtivamente, com o meu namorado de então. E a decepção foi tanta que fui, muitas vezes, consolar-me com Dedega (minha amiga-irmã), Pilis, Maria e Terezinha de seu Nô. Foi uma lição de vida essa constatação... Mas o circo era bacana e eu soube perdoar a menina Isabel. O perdão é um exercício diário que a gente tem a obrigação de fazer para sobreviver neste mundo não é? E tudo era alegria como antes, e eu até ganhei o concurso de menina bonita patrocinado pelo circo e fui muito ovacionada pela platéia. E os jogos intermunicipais de baleado? Eu, particularmente, nunca gostei muito de esportes, de uma forma geral, porque era e sou muito míope. No baleado então, eu era a primeira a ser baleada e todo mundo já sabia disso. Mas, um dia, nós fomos jogar com a seleção de Candiba, que era considerada a melhor da região e, pasmem! Eu consegui encaixar uma bola. Minhas amigas ficaram estarrecidas com o feito, mas isso foi uma mera coincidência e no decorrer do jogo eu fui logo baleada. Não posso esquecer e jamais deixar de mencionar uma grande amiga que tive em Pindaí e que perdi prematuramente: Marilene. Ela era neta de Seu Joãozinho da Tabua e de Dona Duzinha, filha de Avani Godrim, grandes amigos dos meus pais (Seu Tudinho e Dona Dé). Seu Joãozinho era como um protetor para a gente e sempre dormia no Posto Suçuarana para cuidar de mim e de minha mãe quando o meu pai se ausentava. Marilene tinha a minha idade e vários irmãozinhos menores, dentre as quais, soube mais tarde, a Magistrada Rosa Godrim (a nossa linda Rosinha). Eu e Marilene éramos inseparáveis e nutríamos, uma pela outra, grande afeto e admiração. Quando Marilene adoeceu e partiu desta vida eu não entendia muito bem o que era não existir mais. Naquela noite, quando do seu falecimento, eu não dormi direito e sentia dores por todo o corpo me lembrando do choro e da dor de Dona Duzinha... mais tarde eu entendi que o que eu sentia era angústia e sofrimento... Eu também convivi com um anjo de Deus! E os nossos dias transcorriam com os compromissos de costume e a gente aguardava com ansiedade os dias de Domingo. Sempre tinha o futebol dos casados X solteiros e a missa matinal com o Padre Arnaldo. Na missa a gente desfilava os vestidinhos novos e exercitava os nossos sentimentos cristãos. E foi aí Lia que você, mais uma vez, inovou e implantou o Grupo de Jovens – Eu era a Presidente do Grupo de Jovens e Dida era a Secretária - Nos reuníamos em tardes pré-agendadas na igreja para os trabalhos que ora se iniciavam. E a gente aprendia músicas do Padre Zezinho (Um jovem Galileu, Maria de Nazaré, dentre outras) e fazíamos visitas às pessoas menos favorecidas para prestar o nosso apoio e solidariedade. E foi assim a nossa visita à casa do Senhor Patrocínio (que tinha perdido a esposa prematuramente e cuidava dos filhos pequenos). As crianças estavam desnutridas e necessitando de cuidados emergentes. Foi na casa do Senhor Patrocínio que eu aprendi a fazer arroz e a ter empatia pelo próximo. Naquele dia nós cuidamos das crianças e da casa daquele senhor tão sofrido e tão receptivo. A partir de então eu tive a convicção de que sempre poderia ser uma pessoa melhor, se quisesse. E eram tantas as atividades do Grupo de Jovens, você se lembra? Nós encenamos a vida e trajetória de São João Batista, recorda-se Lia? Eu fazia o papel de Herodíades e Eliane o de Salomé. Você dirigia a nossa atuação e coube a Dida criar a cabeça de São João Batista que ia ser ofertada a Herodes. Lembro-me que Dida enrolou um coco com papel crepom cor-de-rosa e fez dois olhos enormes, com cílios e tudo (era a cabeça de João Batista que eu tentava equilibrar na bandeja). Noutro giro, eu abro um parêntese para falar de pessoas bacanas, como Cátia Borges (Catu) que sempre foi muito vaidosa e bonita (o meu marido Paulo Meireles a acha linda!) e sempre foi uma pessoa de tendências. Lembro-me de quando ela montou uma loja de confecções no imóvel onde um dia abrigou o Clubinho Raul Seixas. Foi lá que eu adquiri a minha primeira calça jeans... Um luxo! E já que estamos falando de pessoas bacanas, vale pincelar o grande amor que eu tenho por Dinha (Didiu de Otoni). Minha mãe do coração. Minha e dos meus sobrinhos Juarezinho, Cristiane, Caliane e Camila. Dinha sempre foi muito devotada e carinhosa, além de ser muito linda. Na casa de Dinha sempre tinha merendinhas gostosas (chiringas, bolo de forma e requeijão). Nessa toada, evidencio o meu irmão e padrinho Juarez Novato e minha cunhada e madrinha Cida Borges. Meu irmão foi prefeito de Pindaí por duas gestões e isso muito me orgulha (eu achava chique ser irmã de Prefeito) e teve a sorte de se casar com uma Borges tão especial, tão elegante e tão fina como Cida Borges! Vou confessar que sempre admirei a minha madrinha e me lembro, nitidamente, do seu cabelo cheio de bobs. Eu gostava dos bobs coloridos e presos com grampos (que a gente chamava de “misse”). Também me lembro dos seus vestidos longos e coloridos na época em que estava grávida da minha linda sobrinha Camila. Passava elegante defronte à casa de Seu Hermógenes e Dona Otacília rumo ao Funrural, onde ela trabalhava. Nessa época eu contava 13 anos e o ano era 1977. E são tantas as pessoas bacanas: Verbena de Vavá, Dalva de Mozart, Vanora, Lourdinha de Seu Tião Calango, minha madrinha de crisma Marinalva, Iaiá (mãe de Dida e Dola), Lita de Bala Seca, Cleusinha de Bala-Seca, Lourdinha de Tiãozão, Maria Borges, Ana de Dona Anísia, Vânia de Joaci (mãe da linda Isana), Dona Danúsia (amo Dona Danúsia), e tantas outras... Portal Pindaí - Você como estudante do CEP chamava atenção de colegas e professores por desempenhar com muita responsabilidade e inteligência seu papel de estudante. A experiência em Pindaí teve relevância na sua trajetória estudantil quando saiu daqui? Jane - A minha experiência estudantil em Pindaí foi fundamental para as novas e futuras jornadas que se iniciaram doravante. Como mencionado anteriormente, eu fui muito estimulada e até hoje carrego comigo as lições daquela época. A verdade é que na vida a gente precisa de estímulo para desenvolver melhor o nosso dom e, motivação, era o matiz da equipe docente do CEP naquela época. Nós, alunos, nos sentíamos muito valorizados. Portal Pindaí - Tenho muitas recordações do período que você praticamente morou comigo, Dida e a família que construímos na Escola Ana Angélica. Nunca me esqueci de sua colaboração com o trabalho daquela instituição de ensino e de tudo que pudemos vivenciar... Que tal voltar ao túnel do tempo? Afinal, recordar é viver... Jane - É verdade, recordar é viver, e só revive quem viveu... Eu morei dois anos consecutivos em Pindaí (1976 e 1977) e logo após fui morar em Salvador com a minha irmã Jerusa, uma pessoa a quem devo as maiores honrarias e gratidão, pois foi a minha maior provedora. E logo após fui morar em Belo Horizonte. Retornava a Pindaí somente no período de férias escolares e, no cômputo do tempo, transcorreram cinco anos desde a minha partida definitiva, quando uma coisa inacreditável aconteceu: O ano era 1983 e eu estava recém chegada de Belo Horizonte quando me inseri em um Mundo chamado “Escola Ana Angélica”. Andava inicialmente sorumbática com o deslinde da minha vida acadêmica a partir de então, pois tinha feito vestibular para o curso de Farmácia na UFMG e logo após constatado que a escolha tinha sido um equívoco. Não sabia o que a minha vida ia ser a partir de então... Mas o que Deus risca ninguém rabisca como veicula a sabedoria popular, e foi aí que tudo aconteceu... Eu precisava me ocupar de alguma maneira e imediatamente passei a frequentar a Escola Ana Angélica como colaboradora, sob o seu incentivo, Lia. Eu era uma espécie de faz-tudo na escola (desenhava, colava, pintava, ajudava com as crianças e adorava a merenda escolar). Eu sempre tive uma adaptabilidade invejável e em muito pouco tempo eu já integrava a família “Ana Angélica”. E foi nesse período que aflorou a artista plástica adormecida dentro de mim. Aliás, isso aflorou em todas nós: eu, você e Dida. Que tempo maravilhoso aquele de redecorar a escola com bichinhos de camurça e cartazes temáticos! Preparar as festinhas de estilo (Dia das mães, Dia das Crianças, Folclore, Natal, e por aí vai...) e nos superarmos a cada evento. Lia, você se lembra dos convites artesanais que preparamos para as mães naquele ano? Todo recortadinho com colagens minúsculas de passarinhos, corações, notas musicais e a mensagem escrita em letra cursiva caprichada? Tudo bem, tudo lindo, mas eram dezenas de convites... E a gente ficava com as mãos calejadas pelo uso contínuo da tesoura... E os potinhos e pratinhos de barro do São João? Você comprou centenas e nós tínhamos que pintá-los detalhadamente com os símbolos do São João (fogueira, bandeirolas e o “Viva São João” e “Lembrança da Escola Ana Angélica”). Foi uma loucura! Trabalhamos um longo período nesse projeto e tudo ficou tão lindo no final que a gente até se esqueceu do preciosismo de Dida quando nos obrigava a dar o acabamento final em todas as bandeirolinhas com o contorno preto. Por muitos anos, acho que até a sua partida, a minha mãe, Dona Dé, guardou um desses potinhos. Uma lembrança linda que eu tenho da Escola Ana Angélica: Cantiga de Criança. E como a gente e as crianças cantavam. Lourdes de Seu Otacílio tinha uma turminha, acho que de 2ª série, e cantava a música da barata (“Pisa na barata, machuca essa danada, que agora eu vou dançar com a minha namorada”) e as crianças faziam a ciranda para cantar e dançar- e cantavam tão bonitinho - Muitas das músicas infantis que eu aprendi na Escola Ana Angélica foram repassadas e ensinadas aos meus filhos, anos depois. A hora da merenda merece ser narrada, por digno de relevo. Glutona como sempre fui, eu adorava a merenda escolar, principalmente a farofa de PTS (soja texturizada) porque era bem temperadinha por Dinha (Didiu de Otoni), D.Terezinha (mãe de Vânia e Galo-Cego) e Julinha (mãe de Cleide e Celeide). Lembro-me como se fosse hoje das folhinhas de coentro fresco da horta de Dona Anísia na farofa vermelhinha, tingida de urucum. E as crianças se fartavam com tanto capricho e tanto carinho. As festas escolares é um capítulo que merece ser gizado. Você se lembra do folclore, Lia? Eu mergulhava tanto no projeto que, às vezes, exacerbava. Foi o que ocorreu na festa do ano de 1983. De tão empolgada que fiquei, arregimentei de uma só vez todas as antiguidades da minha mãe Dona Dé (roda de fiar, tear, tacho de cobre, chinelinhas para montaria, etc) e fui me equilibrando rumo à escola numa cena dantesca. Eu mais parecia um carro alegórico com tanta tralha. E ainda ouvimos de Galo-Cego: “Isso aí vocês não colocam no jornal, não é?” Aquele ano foi criativo e muito produtivo para nós, eu creio, pois se não bastasse tanta criatividade nos eventos e na decoração da escola, nós resolvemos criar e fundar um jornal. E foi aí que nasceu o “NASCENTE” (hiperbólico, não?) O jornal era muito artesanal. Era rodado em mimeógrafo e a matriz era em papel estêncil totalmente datilografada por Dida. Eu e você éramos redatoras. O Nascente surgiu timidamente e com poucas tiragens, mas não demorou muito para tomar uma proporção impressionante. Todos na cidade aguardavam ansiosamente as edições recheadas de notícias, recadinhos, entretenimento e fofocas... E aí haja criatividade... Todos da cidade eram uma vítima em potencial dos comentários e dos olhares vigilantes das redatoras do Nascente. Nada escapava... Brigou, chorou, bebeu, casou, nasceu, chegou... Na semana seguinte estava lá, registrado no Nascente. Numa certa ocasião nós recebemos a visita do Deputado Sérgio Brito, filho do saudoso Deputado Henrique Brito (que era muito amigo do meu irmão Juarez e do meu pai Tudinho) e ele soube da existência do nosso Jornal Nascente e nos presenteou com um mimeógrafo. Foi uma alegria esse presente! Mas o interessante é que, anos mais tarde, encontrei-me com o Deputado Sérgio Brito em um evento social de inauguração do Salvador Shopping e contei-lhe sobre o mimeógrafo (ele era o Secretário de Governo do Município de Salvador e o meu marido Paulo Meireles era o Superintendente da SUCOM - Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo de Salvador -ambos trabalhavam juntos na mesma gestão). Ele e a esposa ficaram encantados com a história e ainda mais sabendo que o mimeógrafo existe até os dias atuais e sob os cuidados criteriosos de Dida - nossa depositária fiel. Outro marco do Nascente foi a entrevista concedida pelo meu conterrâneo Waldick Soriano. Ele tinha vindo a Pindaí para visitar Dona Neném (mãe de Dona Verbena) que tinha sido casada com o pai dele e o tinha criado. Foi um alvoroço... Adentramos o casarão de Dona Verbena e nos deparamos com a celebridade. Juro que eu fiquei muito emocionada. Waldick Soriano foi muito simpático e receptivo e ainda respondeu a todas as nossas perguntas. Esse exemplar do Nascente é um marco histórico. Eu amo o Waldick Soriano e a sua música “Tortura de Amor”, uma das mais belas da nossa MPB. A Escola Ana Angélica ficava situada em uma das ruas principais de Pindaí denominada também de Ana Angélica. Nessa rua morava Dona Inês, que era a Vice-diretora do colégio, Biduga, Dona Vininha, Lita de Bala-Seca (morro de saudades das chiringas e chimangos feitos por Lita), Maurita, Dalva de Mozart, Dona Anísia, Lia de Sula e Zetinha (à época ela era casada com Wilson Borges, meu grande amigo). Zetinha é neta de Dona Dudu e Seu Jorge (muitas vezes a gente ia comer requeijão quentinho na fazenda de Dona Dudu). Zete era uma pessoa muito bacana para comigo e a sua casa era parada obrigatória. Lá sempre tinha batatas fritas e os discos do momento. Wilson adorava Rita Lee que estava no auge com o seu disco antológico “Flagra”. Eu sinto muitas saudades do meu amigo Wilson Borges... E teve o dia em que eu ganhei uma motocicleta do meu pai Tudinho (sempre tão sovina!). Imagine o delírio... Meu sobrinho Juarezinho me ensinou a pilotar. E aí a novidade era ir para a Escola Ana Angélica de moto. Só que eu, inexperiente, deixava o motor morrer a todo o instante e as crianças da escola se deleitavam empurrando o veículo para pegar no tombo. Na semana seguinte o episódio estava registrado no Nascente. Não posso deixar de registrar o trabalho educacional que você desenvolveu na Escola Ana Angélica, Lia. Você foi de uma singularidade extrema. Não imagino e não concebo a história do Município de Pindaí sem a sua atuação como educadora e como motivadora. E o resultado é flagrante! A maioria dos grandes talentos dessa cidade receberam o seu incentivo e o seu ensinamento. Você foi e você é uma verdadeira mecenas da Educação! E com tantas vivências e alegrias o ano de 1983 findava. Tem também histórias de dores e de amores que eu me reservo o direito de não narrar para que se evitem constrangimentos ou mágoas nos consortes que advieram depois. E aí eu fui para Salvador prestar o vestibular para Direito. Meus pais também se mudaram para Jequié naquele ano e, aparentemente, tudo acabou... Mas o que a gente não sabia é que tudo recomeça e neste junho de 2011, vinte e oito anos depois, eu estive em Pindaí, numa visita breve e tímida, quase imperceptível, para trazer na algibeira parte de um dos momentos mais expressivos da minha vida... Portal Pindaí - Apesar de tudo isso, você teve que nos abandonar e seguiu para a “Bahia grande” para dar continuidade aos seus estudos. Como foi sua trajetória a partir daí? Jane - No final de 1983 eu prestei o vestibular para Direito na UFBA e, felizmente, tive êxito. A partir daí fui me aprimorando no mundo jurídico e me especializei em Direito Urbanístico. Tenho 26 (vinte e seis) anos de serviços públicos efetivamente prestados. Adquiri, no decorrer dos anos, graças a Deus, certa respeitabilidade no desempenho do meu mister. Portal Pindaí - Como foi sua entrada no mundo do trabalho? O que faz atualmente? Jane - Em 1985 iniciei o meu primeiro estágio, como estudante de Direito, na RENURB- Companhia de Renovação Urbana de Salvador (Sociedade de Economia Mista do Município de Salvador). Logo após fui alçada a Auxiliar Técnica na mesma companhia. Foi na RENURB que eu passei a me interessar por Direito Urbanístico. Também fui Assessora do Vice-Prefeito de Salvador, Dr. Waldir Régis e Diretora da Câmara de Vereadores do Município de Lauro de Freitas. Nessa cidade laborei como Procuradora especializada em Direito Urbanístico, Procuradora Fiscal e mais tarde Procuradora Geral (chefiei uma equipe de dezessete Procuradores especializados e doze auxiliares). Fui ainda Consultora Urbanística no Município de Camaçari por mais de 08 (oito) anos (muitos dos grandes empreendimentos do Litoral Norte da Bahia foram por mim analisados e posteriormente aprovados). Fui consultora urbanística do Município de Candeias e colaboradora da Revista JAM-JURÍDICA - de Direito Municipal - por mais de 10 (dez) anos. Contribui também com inúmeros artigos jurídicos publicados em revistas jurídicas especializadas e atualmente sou Procuradora Geral do Município de Mata de São João (Município que agrega praias famosas como a Praia do Forte, Imbassaí e Costa de Sauípe), chefiando uma equipe de 05 (cinco) Procuradores Especializados e 04 (quatro) Auxiliares. Portal Pindaí - O casamento com Paulo, além de representar uma etapa nova em sua vida, trouxe de presente para vocês dois filhos maravilhosos. Como é a vida de Jane esposa, advogada brilhante e mãe? Jane - Sou casada há 23 (vinte e três) anos com Paulo Roberto de Assis Meireles, pessoa pela qual tenho muita admiração e respeito. É um grande profissional que goza de muita respeitabilidade na Bahia. É arquiteto e especialista em Gestão de Cidades. Dentre os diversos cargos públicos que ele ocupou destaco o de Superintendente de Ordenamento e Uso do Solo de Salvador - SUCOM. Atualmente é Secretário de Planejamento e Meio Ambiente do Município de Mata de São João-Bahia. Tenho dois filhos maravilhosos: João Paulo Novato Meireles (21 anos e estudante de Engenharia Mecânica da UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto-MG) e Patrícia Novato Meireles (18 anos e estudante de Jornalismo da UFV - Universidade Federal de Viçosa-MG). Sou muito amiga dos meus filhos e adoro desempenhar o papel de mãezona. São meninos bons, centrados, respeitosos e que me dão muito orgulho pelas atitudes que adotam. Ambos estudaram fora do Brasil por um período considerável e isso sobrelevou as características marcantes de cada um. São responsáveis, tolerantes, generosos e muito independentes! Ambos tocam instrumentos musicais. Adoro cozinhar para os meus filhos. Adoro viajar com eles! Amo os meus filhos. Portal Pindaí - Você deixou grandes amizades em Pindaí e tem muita gente que se recorda de Jane com admiração e saudade. Mande um recado para esse pessoal. Jane - Os meus amigos não podem mensurar o grande respeito e a grande admiração que tenho por eles. Amo Pindaí, nem sei descrever... Gostaria de externar a minha imensa gratidão por todos aqueles que, de alguma forma, escreveram comigo grande parte da minha história. Peço perdão àqueles que não foram mencionados, mas nem por isso são menos importantes. É que, mesmo privilegiada, a memória pode falhar... A você Lia, meu eterno carinho e admiração. Muito obrigada pela oportunidade de relembrar e reviver momentos preciosos que marcaram a minha vida e a minha existência. Portal Pindaí – Muito obrigada Jane, pela entrevista! Você conseguiu, através de suas respostas, nos transportar para um período que foi marcante em todos os aspectos para a vida daqueles que estiveram presentes em Pindaí, numa fase de grande aprendizagem e adaptação, no enfrentamento do novo, como o Centro Educacional de Pindaí que estava começando uma etapa nova na educação do município, nos desafiando a estudar e dar o melhor de cada um de nós e da Escola Ana Angélica, também iniciando uma fase nova, com novos valores! Incrível como você detalhou tantas coisas simples e aparentemente sem importância para aqueles que não têm latente a sensibilidade aguçada para a simplicidade dos gestos! Como é bonito constatar que de pequenos ensinamentos, você conseguiu tirar grandes lições... Vinicius de Moraes disse que “mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações, pois boas lembranças são marcantes e o que é marcante nunca se esquece! Uma grande amizade, mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!”. Sempre tive muito orgulho de pertencer ao rol de suas amizades e de ter sido um tijolinho na construção de sua vida! Tenho comigo alguns retalhos das histórias que você contou. Por exemplo, certo caderno de desenho usado para ilustrações nas nossas aulas de Inglês, poemas lindamente redigidos, modelo de cartão utilizado no “Dia das Mães”, potinhos pintados e até o registro daqueles “débitos” da cantina, num caderno cuidadosamente guardado! (risos). Tenho certeza que você queria escrever muito mais e que não se esqueceu da velha bicicleta, da corrida para se livrar do mudo, cheia de tralhas que conduzia, da coluna especial do Nascente, denominada de “Detefon” que detonava a vida de todo mundo e dos horóscopos que escrevíamos direitinho, após pesquisar fatos e o signo das vítimas... Bons tempos Jane, que me levam a um trecho da canção de Ataulfo Alves, “eu era feliz e não sabia...” Parabéns pela sua trajetória, nada mais do que fruto do merecimento de uma jovem inteligente, consciente e responsável! Além de todas estas qualidades, você é uma pessoa sensível e como companheira, coloca todos aqueles que a cercam numa posição de privilégio. Feliz ano novo amiga, ao lado de Paulo, João Paulo e Patrícia e de todos aqueles que habitam seu coração bonito e generoso! Obrigada pelas suas palavras de carinho e incentivo dirigidas a mim particularmente! Você sabe melhor do que ninguém quanto isso toca nos meus sentimentos e aumenta em escala crescente todo o amor, carinho e afeição que sinto por você. Saiba que aprendemos muitas vezes a dar valor na vida, quando as pequenas coisas que acontecem tornam-se lembranças para marcar não apenas um dia, mas para sempre. Você marcou momentos importantes e inesquecíveis na minha vida... Espero por você brevemente. Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Marta de Cássia Barros de Carvalho Prado: A simpatia de uma Educadora competente

Friday, 23 de December de 2011

“Educar é semear com sabedoria e colher com paciência”. (Augusto Cury) Ela é uma pessoa alto astral, coração maravilhoso, de bem com a vida, sorriso sempre presente e com muita autenticidade demonstra segurança e firmeza de propósitos em tudo que faz. Nasceu em Pindaí em 14 de junho de 1965, filha de Jerônimo Borges de Carvalho e Danúzia Silva Barros de Carvalho, tendo conservado de sua origem genética a simpatia natural daqueles que vivem em constante contato com o povo. Estamos falando de Marta de Cássia Barros de Carvalho Prado, casada com Orlando Prado Martins e mãe de dois filhos, Thomaz Barros de Carvalho e Mariana Barros de Carvalho Prado, que chegaram à vida do casal para acrescentar alegrias. Marta de Cássia nos concedeu esta entrevista, dispensando sua atenção ao nosso convite, mesmo cheia de atribulações naturais que marcam o final de ano, principalmente para quem assumiu a educação como meta de trabalho e atua nessa área como verdadeira Educadora. Merecidamente ela é o destaque da semana no Portal Pindaí. Portal Pindaí – Vamos falar de você, desde o tempo de criança, na escola, relembrando sua trajetória como estudante. Marta de Cássia – A etapa inicial da minha vida estudantil foi em três cidades: Em Pindaí, cursei 1ª, 2ª e um semestre da 3ª série, nos Grupos Escolares Aloísio Short e Jerônimo Borges, tendo como professores: Edília Freitas, Lindomar Gomes e Verbena Mendes. Dessa fase de minha vida, tenho muitas lembranças: das festas juninas, caminhar nas enxurradas para chegar à escola que era o máximo e um super desafio nos dias de chuva. Lembro-me que para ir para o Jerônimo Borges, passávamos pela lateral da casa de Vó Jeca e mais adiante, ao lado da manga de Dona Nenen, lugar que alagava. Era uma aventura! Outro fato interessante dessa época, é que nós alunos nos encontrávamos todos os dias na esquina da casa de Dona Verbena, esperando o nosso professor para irmos com ele até a escola. De vez em quando pegávamos carona com Lindomar num Jeep laranja. Tempo Bom... Quanta saudade! Orgulho-me muito de ter sido alfabetizada pelos professores de minha amada Pindaí. Mestres que até hoje tenho muita estima e respeito. Segui depois para Guanambi e estudei no Grupo Escolar Getúlio Vargas com Dona Edimira, uma pessoa que aprendi a gostar pelo seu carisma e bom humor e o próximo destino foi Caetité, onde fiz até a 7ª série no IEAT. Com a morte de minha Vó Letícia, voltei a Guanambi, onde conclui o Ensino Fundamental e ingressei no Magistério, concluído em 1982. Depois disso fiz Estudos Adicionais e meu ingresso no Curso de Letras/ Inglês na Universidade Estadual da Bahia em Caetité ocorreu no ano de 1996, com conclusão em 1999. Depois disso fiz especialização em Lingüística Aplicada à Produção de Textos na UESB em Jequié e na UFBA – Universidade Federal da Bahia me especializei em Estudos Lingüísticos e Literários e cursei três disciplinas optativas do Mestrado: Problemas de Lexicologia e semântica e Psicolinguística Aplicada ao Português I e II. Meu próximo passo é concluir essa etapa iniciada. Mesmo não tendo ainda concluído o mestrado, não parei de estudar. Gosto muito da profissão que escolhi e ela exige de nós muito estudo e dedicação. Estou sempre procurando me atualizar participando de cursos e congressos. Portal Pindaí – Que tal falarmos de sua paixão por Pindaí, registrando lembranças que mais fortemente marcaram sua infância e juventude? Marta de Cássia - O ser humano não pode e não deve negar suas raízes; quem age assim, nega sua própria identidade. Amar Pindaí é apaixonar pela minha história de vida, pois foi o berço de meus primeiros passos, onde conquistei e fiz boas amizades, até hoje conservadas. Pindaí é o meu lugar, minha terra, minha vida... Quanto às lembranças, são muitas, ou melhor, tudo que vivi na infância e na juventude estão marcados na minha mente - ahahahahahahah... ahahahahahah.... Salió, Mané Cabelão... Quanta falta de juízo, meu Deus! Salió, todos sabem, cuidava muito bem da nossa igreja e por isso tinha um ciúme danado dela. Eu, juntamente com Jane e Eliane, aprontávamos muito e Salió fazia referências aos nossos nomes “com muito carinho”, me chamando de “Foguete de Sr. Jerônimo”, Jane era “Lesma de Sr. Tudim” e Eliane era a “Espoleta de Chico Nogueira”. Juntas, pegávamos escondido, na casa de Tia Fia, uma vassoura para bater o sino da igreja. A corda ficava presa na porta e só um pedacinho dela ficava pelo lado de fora. Era ali onde nós encaixávamos a vassoura e batíamos o sino. Salió se danava e começava a xingar. Escondidas, dávamos risadas de sua ira. Coitada! Quanta maldade! Desesperada ela falava: “Por favor, crianças, não façam essas traquinagens, respeitem os mais velhos”! Não tínhamos, na época, esta consciência. “Mané Cabelão” era outra vítima de minhas peraltices! Quantas vezes eu o pirracei! Não tinha juízo e não ficava quieta nem com as pedradas dele. Felizmente nenhuma acertou minha cabeça. Poderia ter morrido e não estar viva para contar estas histórias. A galera da pesada era formada por mim, Dida, Dola, Geralda, Sônia (in memorian), Jane e Silvan Na safra de imbu, saíamos, cada uma com uma sacola em punho para colhermos essa deliciosa fruta. Acho que a delícia mesmo estava em nossas aventuras pelas estradas. Íamos rumo à Lagoa “Duminguim” e para a fazenda de Antonio de Ritinha. Era uma farra! Durante nossa caminhada, os casos surgiam, dávamos muitas risadas e até hoje quando nos encontramos, ainda damos gargalhadas de tudo. Esses momentos de nossas vidas são inesquecíveis ... Eu e Sônia ( in memorian)- muita saudade ainda dessa amiga - gostávamos, aos sábados de fugir de casa para ir à feira passear, comprar picolé na mão de Miúca ( picolé de groselha - hummm que delícia!) e olhar as novidades das barracas que vinham de Guanambi. Fazíamos isso, escondido de nossas mães, pois as mesmas desaprovavam estes passeios. Mas, nós sempre dávamos um jeitinho. Lourdes - mãe de Sônia - tinha uma venda no mercado e por lá ficava o dia todo, retornando para casa no finalzinho da tarde. Aproveitávamos dessa situação e nossas partidas e chegadas eram sempre de sua casa. Num belo dia, tarde linda e maravilhosa, depois de passearmos bastante, voltamos para casa. Chegamos, como sempre pelo portão e nas pontinhas dos pés entramos em casa... SURPRESA! Mamãe Danúzia e mamãe Lourdes nos aguardavam e foi aquela bronca! Para completar, tínhamos uma torcida contra - Maria Eni, irmã de Sônia ficava dando risadas de nossa cara quando os “aprontamentos” da gente tinha falhas. hummmmmm! Tempos bons... Saudades! Dida, onde está nosso pé de sabonete? Sob sua sombra, construíamos nossos castelos, nossos sonhos... Era o nosso recanto. Brincávamos (Dida, Dola, Geralda, Dão, Toe, Jane, Silvan, eu ) de casinha, de banco ( o dinheiro era feito com os papeis das carteiras de cigarros) e muitas outras brincadeiras. Gostávamos de sentar sobre seus galhos e ficar horas e horas conversando, contando casos, cantando, e claro, dando muitas risadas! E os piqueniques? Eram bons demais! Inho, Criste, Fá, Karine e eu brincávamos muito no quintal da casa de Tia Edite. Era uma curtição!!! Nesse quintal, tinha muitos pés de pinha e até hoje ainda tem alguns. Na época da safra, ficávamos de olho para colhermos algumas frutas. Umas tinham pulgão e Tia Edite estava ali de olho. Quando pegávamos alguma dessa natureza, ela logo chegava , pegava a fruta e com muito carinho começava a lavá-la com uma escovinha até limpar por completo, depois de todo esse trato é que nós poderíamos saborear nossa prenda. Tenho muitas lembranças das festas de São João. Adorava pregar as bandeirolas, enfeitar o mastro, participar das novenas, das procissões. Após as novenas, tinha o leilão, que era realizado ao lado da igreja numa barraquinha feita de palha e animado por um grupo de pessoas que tocava sanfona, pandeiros, triângulo e outros instrumentos. Não posso me esquecer das idas nas casas de Tia Maria e madrinha Sinvalina e das tardes passadas na casa de Tibora... Muita Saudade mesmo! Com todas essas histórias vividas intensamente, a minha paixão por Pindaí é muito grande! Pindaí é minha terra, lugar onde as minhas raízes estão profundamente fincadas. Amo muito esta cidade! Portal Pindaí - Seu casamento com Orlando Prado, além de representar o encontro com o amor de sua vida, proporcionou o nascimento dos seus dois filhos, Thomas e Mariana e mudanças constantes de um lugar para outro. É difícil fazer a conciliação de esposa, mãe e Educadora aplicada e responsável? Marta de Cássia - Deus tem me permitido viver momentos felizes e um deles foi encontrar a minha cara-metade: Orlando. Estamos casados há 26 anos, construímos nossa convivência com muito respeito, cumplicidade, diálogo, confiança e renovando sempre o nosso compromisso conjugal. Orlando é um grande companheiro, pessoa a quem todos os momentos da vida, sejam eles agradáveis ou desagradáveis, está sempre presente. Sou muito feliz no meu casamento. Esta felicidade torna-se completa com os nossos filhos, Thomaz e Mariana - pessoas importantes na minha vida e que me tornam completa e feliz. Minha vida é andar por este país... Ando, ando... Mas seguro a peteca. Ser esposa, dona de casa, mãe e educadora não é uma tarefa muito fácil. Procuro conciliar minhas atividades fazendo um bom planejamento. Organizo minhas idas e vindas sem que haja prejuízo para qualquer uma das minhas obrigações e tenho conseguido manter o equilíbrio e a conciliação de todas as atividades que desempenho. Portal Pindaí - Quais são os maiores desafios que você enfrenta na sua carreira de Educadora? Marta de Cássia - São muitos. O maior desafio é a responsabilidade que temos como educadores: formar seres humanos conscientes do seu papel na sociedade. No desenvolvimento do meu trabalho procuro, sempre, mostrar a necessidade de resgatar os valores éticos, de família e da vida social, sendo isto também um grande desafio. Temos neste século uma grande concorrência, que considero desleal: o mundo digital, uma vez que a Internet se encontra à disposição de todos e os jovens são os que mais utilizam. É preciso saber selecionar o que é bom e o que ruim. Portal Pindaí - Você é filha de Jerônimo Borges, para mim um dos maiores políticos que esta região já teve: Fino no trato, bom articulador, grande mediador. Até que ponto você acha que essa herança genética influenciou seu jeito alegre e dinâmico de ser? Marta de Cássia - Me Emociono sempre ao falar de meu pai. É referência em minha vida, principalmente como ser humano. Não conheço ninguém que possa ter desempenhado tão bem esse papel! Ele era um homem humilde, caridoso, simples e acima de tudo corajoso para lutar pelo bem-estar das pessoas que ele tanto amava: seus conterrâneos. Durante a nossa convivência, ele com suas ações me deu excelentes exemplos e procuro sempre seguí-los, o que me dignifica muito como pessoa. A genética é muito forte entre nós. Meu pai era uma pessoa que estava sempre de bem com a vida. Nossa casa era visitada com muita frequência, por pessoas dos mais variados lugares. Alguns vinham fazer uma visita, bater um papo – era comum nos finais de tarde a roda de amigos ao redor da mesa e uma garrafa de café. Naquele momento era colocando em dia os assuntos e o bate-papo rendia; outros vinham por necessidade e pernoitavam; outros, por motivos diversos procuravam o farmacêutico, o conselheiro, o político.Ele carinhosamente recebia e ouvia cada um. Como disse anteriormente, MEU PAI É REFERENCIAL EM MINHA VIDA. Presenciando todos esses acontecimentos, o seu jeito de cumprimentar crianças e idosos, de desconhecidos a conhecidos, o seu amor por Pindaí, é natural que tenha sido influenciada na minha formação.Ele ensinou a mim e a meus irmãos a amar e querer sempre o melhor para Pindaí e respeitar as pessoas, olhando-as numa mesma altura. Portal Pindaí - Agora tudo indica que você vai finalmente dar sua parcela de contribuição na educação em Pindaí. Como está sendo esta expectativa? Marta de Cássia - Estou bastante ansiosa, mas preparada para mais um desafio que é ser mais uma parcela deste grande time. Quero, se tudo der certo me juntar aos bons profissionais da nossa terra e fazer parte desta grande equipe em prol da educação dos jovens pindaienses. Portal Pindaí - Estamos bem próximos de comemorar os 50 anos de emancipação política de Pindaí. Como você avalia esse momento histórico para nosso município? Marta de Cássia - Comemorar 50 anos de nossa terra é uma oportunidade para que nós pindaienses de coração, que amamos este lugar, possamos unir nossas forças, debater nossas ideais em prol de uma cidade melhor para todos. Sabemos que muito já foi feito, mas tem muito mais para se fazer. A união faz a força! Precisamos comemorar este meio século com muito requinte, preparando-nos para o próximo! Aproveito deste espaço, para parabenizar minha querida prima Lia Borges - pessoa que ama muito nossa terra, pela iniciativa de deixar registrada a nossa história! Parabéns BORGES! Portal Pindaí - Que tal deixar uma mensagem para nosso povo? Marta de Cássia - Aproveitando o final de um ano, desejo a todos meus conterrâneos Pindaienses, um ótimo Natal e que em 2012 possamos todos realizar alguns de nossos sonhos, senão todos. Que nossa cidade possa ter muito mais a comemorar e que o novo ano seja de conquistas e vitórias para todos nós que amamos e lutamos por esta terra. FELIZ NATAL E UM FELIZ ANO NOVO!!!! Portal Pindaí – Obrigada Martinha, pela entrevista e por permitir o conhecimento dos fatos que você buscou no túnel do tempo, provocando aquele sentimento tão bom de saudade! Augusto Cury disse que “todos têm uma criança alegre dentro de si, mas poucos a deixam viver”. Você foi uma criança feliz, cresceu, desenvolveu seu potencial de mulher, mãe, educadora, mas nunca deixou morrer o lado alegre e de viver eternamente o encanto de um coração de criança. Isso justifica plenamente seu jeito expansivo e comunicativo de ser, levando para quem está por perto de você uma aura positiva de felicidade. Parabéns minha querida!Agora que se vislumbra a possibilidade de você ficar mais próxima de nós, tenho certeza que seremos constantemente contagiados pelo seu bom humor, pelos seus gestos de solidariedade, pelo carinho que emerge das suas ações. Feliz Natal e um ano novo repleto de paz, saúde, sucessos, renovação de sonhos e expectativas realizáveis, extensivo a Orlando, Thomaz e Mariana. Lia Borges – Para www.portalpindai.com.br
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Marcos Azevedo Silva Mendes: Simplicidade e simpatia de um jovem Enfermeiro

Friday, 9 de December de 2011

Considero feliz aquele que quando se fala de êxito busca a resposta em seu trabalho." (Ralph Waldo Emerson) Marcos Azevedo Silva Mendes, filho de Nilton Pereira da Silva e Adelina Santos de Azevedo Souza, nasceu no dia 23 de dezembro de 1984. Cursou as séries iniciais (1ª a 4ª série) na Escola Ana Angélica e no Centro Educacional de Pindaí estudou de 5ª a 8ª série, terminando o Ensino Fundamental. Em 2002 concluiu o Ensino Médio no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães em Guanambi e no ano de 2004 ingressou na FG – Faculdade Guanambi no Curso de Enfermagem, concluído em 2008. Casado com Lívia Thais (com ele na foto) no ano de 2010 e Pós-graduado em Enfermagem do Trabalho, Marcos atua no município de Pindaí como Enfermeiro no Hospital Municipal e nos concedeu com muita simpatia esta entrevista que o coloca como destaque da semana no Portal Pindaí. Portal Pindaí - Vamos começar falando de sua infância e adolescência, O que ficou mais fortemente na sua memória? Marcos - A fase da infância e adolescência marcou minha vida por diversos fatores, um deles é o período em que comecei a trabalhar e estudar e o ambiente escolar tornou – se satisfatório, pois facilitou o meu ponto de partida para um futuro promissor. Portal Pindaí - Seu pai, Nilton Pereira, é um profissional bem credenciado e responsável. Até que ponto isso influenciou sua vida estudantil? Marcos - Cresci numa família em que meus pais sempre valorizaram a formação escolar e, principalmente, a relação afetiva entre todos. Um dos fatores que mais influenciou minha vida estudantil foi o fato de o meu pai ser um professor qualificado que me orientava a ser um aluno exemplar. Isso representou muito na minha formação estudantil e influenciou quando chegou o momento da escolha profissional e que optei pela graduação em Enfermagem, uma profissão encantadora e com grandes desafios. Portal Pindaí - Você fez o curso de Enfermagem. Por que escolheu essa área? Marcos - O ato de cuidar de alguém com problemas de saúde chamava minha atenção, pois sempre me identifiquei com o ato solidário de colaborar com pessoas que apresentavam alguma doença, estando sempre disposto a fazer alguma coisa. Gosto de ver nas pessoas, o olhar de quem se sentiu acolhido e compreendido em sua dor e o meu prazer é ser útil nesse momento aos que necessitam de cuidados e, principalmente, de atenção. Fazer-me humano num momento tão desumano é gratificante! Portal Pindaí - É muito bom sair, estudar e servir a terra natal. Você atualmente é membro de uma equipe jovem de Enfermeiros que atuam no município de Pindaí. O que isso representa para você? Marcos - O fato de trabalhar em minha cidade natal é muito gratificante e ao mesmo tempo torna – se um obstáculo, pois nem sempre somos reconhecidos como deveríamos.O meu grau de satisfação tem sido elevado devido a boa aceitação da população, relacionado ao meu trabalho e desempenho nele, pois o Enfermeiro tem a oportunidade de tomar decisões, juntamente com os demais profissionais da saúde e com o usuário e seus familiares, quanto aos cuidados que devem ser tomados, diante de cada situação. Portal Pindaí - Como é sua rotina de trabalho? Marcos - A rotina de trabalho em ambiente hospitalar corresponde a 40 horas semanais, atendendo a demanda da sede e zona rural. Portal Pindaí - Casado com Lívia Thaís recentemente, vocês formam um casal ainda jovem, com muitas perspectivas. Quais são os planos para o futuro? Marcos - O fato de ser casado me torna ainda mais fortalecido e encorajado para alcançar e desempenhar meus planos, pois minha esposa representa meu porto seguro! Temos em comum planos e sonhos, sendo um deles continuar investido em nossa carreira profissional para melhor atender o nosso município. Portal Pindaí - Mande uma mensagem para os jovens pindaienses. Marcos - "Quando amamos e acreditamos do fundo de nossa alma, em algo, nos sentimos mais fortes que o mundo, e somos tomados de uma serenidade que vem da certeza de que nada poderá vencer a nossa fé. Esta força estranha faz com que sempre tomemos a decisão certa, na hora exata e, quando atingimos nossos objetivos ficamos surpresos com nossa própria capacidade." (Paulo Coelho) Portal Pindaí - Khalil Gibran, com grande sabedoria disse que “a simplicidade é o último degrau da sabedoria.” Parabéns por conservar nas suas palavras e atitudes, gestos simples que fazem a diferença na vida social e no trabalho. É muito bom vê-lo atuando como Enfermeiro, realizando um trabalho que você escolheu por afinidade e convicção, considerando também a oportunidade de atuar na sua terra natal. Quero na oportunidade, agradecer pela entrevista concedida e parabenizá-lo pelo compromisso e responsabilidade. Com certeza, "o prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.”, conforme citação de Aristóteles e isso reforça sua trajetória pela condição de fazer o que gosta, obtendo como recompensa, bons resultados. Felicidades Marcos e que o sonho de partilhar novos rumos profissionais com sua esposa Lívia Thais possa se concretizar. Tenho certeza que tudo será possível porque o primeiro passo é desejar e a partir daí, perseguir objetivos. Você é inteligente, organizado e paciente e tudo isso representa um somatório importante para quem tem o verbo vencer como meta de trabalho. Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Rosilene Mendes dos Santos – Mulher forte, destemida e atuante!

Friday, 2 de December de 2011

“Quando eu disse ao caroço de laranja, que dentro dele dormia um laranjal inteirinho, ele me olhou estupidamente incrédulo”. (Hermógenes) Rosilene Mendes dos Santos é alguém que podemos chamar de vencedora, com todas as letras! Sua trajetória é um exemplo de luta, persistência e dedicação! Ela nasceu em Pindaí, em 13 de março de 1966, filha de Domingos Ramos dos Santos e Zênite Mendes dos Santos (já falecida). Sua infância foi vivida entre Pindaí, Brasília e Guanambi, quando teve oportunidade de estudar as séries iniciais do Ensino Fundamental, continuado, com alternância entre Pindaí e Guanambi. O Ensino Médio, contudo, foi totalmente feito no CEP em Pindaí. A mudança para São Paulo trouxe muitas nuances novas na vida dessa pindaiense, que buscou também a continuação dos seus estudos no Centro Universitário Central Paulista, cursando Pedagogia, com conclusão no ano de 2002, não deixando também de se manter atualizada com freqüência, em cursos ligados a área de Direitos Humanos, Gestão Pública e Crianças e Adolescentes. Atualmente na ANVISA, depois de ter atuado como Vice-prefeita de São Carlos - SP e ocupado naquela cidade outros cargos públicos, conciliando sua batalha como funcionária eficiente e atuante e o fato de ser mãe de três filhos: Noemi dos Santos Batista Ximenes, Ricardo dos Santos Batista e Eduardo dos Santos Batista. Já morando na Capital Federal, ela concedeu esta entrevista ao Portal Pindaí, permitindo que possamos conhecer um pouco mais da vida dessa jovem mulher que dignifica sua origem sertaneja. Merecidamente Rosilene é o nosso destaque da semana: Portal Pindaí - O que motivou sua mudança de Pindaí para o estado de São Paulo? Rosilene - Recomeçar uma vida conjugal (que não deu certo). Portal Pindaí - Como foi à adaptação a um novo ritmo de vida? Rosilene - Difícil, desafiante, mas com muita vontade pra dar certo. Portal Pindaí - Como foi o ingresso na política na cidade de São Carlos, que culminou com o cargo de Vice-prefeita dessa cidade? Rosilene - Como já era militante do PT, logo que cheguei a São Carlos em Janeiro de 91, transferi o meu título de eleitor e procurei a sede do partido para me filiar. Conheci algumas lideranças do PT e como boa baiana fiz amizade fácil e em 92 integrei o diretório, do qual fui membro, ocupando alguns cargos. Logo que cheguei, busquei me integrar aos trabalhos da Igreja Católica (pastorais sociais, juventude), trazendo experiência desse tipo de atuação de Pindaí e conheci o Padre Zé Luiz que me apresentou o trabalho social que fazia com crianças e adolescentes de uma favela da região e fez o convite para que eu integrasse a equipe de trabalho. Comecei como Educadora Social e Professora de Alfabetização de Adultos e quando ocorreu uma redução na equipe, passei a coordenar o projeto. Saí em 94 para fazer parte do 1º Conselho Tutelar da Cidade e fui a 1ª mulher a ser nomeada pelo Bispo para um trabalho na Diocese, no trabalho com crianças e adolescentes (orientar as paróquias a organizar os trabalhos de acordo com o ECA). Fui fundadora e coordenadora da Casa Aberta para meninos de rua de São Carlos e Araraquara e conselheira de gestões dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente, tanto a nível municipal, quanto estadual e militei sempre nos movimentos sociais e no PT. Tudo isso enriqueceu experiências e agregou grandes valores a minha vida, colocando-me em evidência perante a sociedade e contribuiu para que em 2000 fosse convidada pelo Reitor da UFSCar, Professor Newton Lima para compor a chapa majoritária com ele. O partido aprovou e nós fomos eleitos com 128 votos de diferença, representando o 1° Governo Democrático e Popular da história de São Carlos, sendo eu a 2ª mulher a ocupar o cargo de Vice- prefeita da cidade! Portal Pindaí - Fale sobre sua atuação em São Carlos, metas traçadas e objetivos alcançados. Rosilene - Eu sou muito grata à Cidade de São Carlos, que me acolheu muito bem e proporcionou muitas oportunidades de crescimento profissional, pessoal e político. Hoje tenho um trabalho muito reconhecido na cidade e no estado, fruto daquilo que pude realizar de 2001 a 2004 na Prefeitura, na condição de Vice-prefeita e como Secretária Municipal de Cidadania e Assistência Social (2005, 2006) e como Secretária Municipal Especial de Infância e Juventude (2007 e 2008). No ano de 2008 fui candidata à Vereadora e obtive 430 votos, faltando apenas 200 para me eleger. Com isso sou Suplente de Vereadores do PT e no ano de 2009 voltei para a Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social, cargo que ocupei até o dia 21 de novembro deste ano. Tive muito orgulho de fazer parte de toda essa história em São Carlos e sei que contribuí muito para os avanços sociais e políticos deste município, especialmente na área Infanto-juvenil, graças aos projetos que ajudamos a criar, como NAI – Núcleo Atendimento Integrado, para adolescentes infratores, dois Centros da Juventude e hoje não temos mais meninos e meninas em situação de rua, sendo São Carlos atualmente o município do Brasil com menor Vulnerabilidade Juvenil (Ministério da Justiça, Fundação Getúlio Vargas, UERJ). Implantamos também programas de complementação de renda junto com o Bolsa Família e temos mais de 6 mil famílias com vários benefícios sociais, dentre eles, isenção total de IPTU e tarifa social de água; foram implantados quatro CRAS – Centros de Referência de Assistência Social nas regiões vulneráveis, os CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, proporcionando serviços para mulheres vítimas de violência, crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual, população de rua, idosos, vítimas de violência e adolescentes em conflito com a lei. Além disso, implantamos e coordenamos as políticas transversais de promoção da igualdade racial, políticas para mulheres e da diversidade sexual. Com esse conjunto de ações, conseguimos virar a pirâmide social de São Carlos, segundo mapa da pobreza da UFSCar e Revista CAPA da cidade. Vou continuar atuando politicamente e contribuindo profissionalmente em tudo que puder, mas no momento sentimos a necessidade de fortalecer novas lideranças nessa área e buscar novos desafios. Portal Pindaí - Recentemente você foi escolhida para ocupar um cargo na ANVISA. Que perspectivas isso trás de novo para sua vida? Rosilene - Sinto-me orgulhosa pelo convite que recebi do Dr. Dirceu Barbano, Presidente da ANVISA, para ajudá-lo a elaborar e implantar um Projeto Social para ajudar a Presidente Dilma a erradicar a pobreza que ainda assola 16 milhões de brasileiros. É um desafio muito grande e vou trabalhar muito com o MDS – Ministério de Desenvolvimento Social no Programa Brasil Sem Miséria, com o Ministério da Saúde, Ministério do Comércio, Indústria e Inovação e outros, para discutir como a ANVISA vai contribuir neste grande projeto nacional. Estou animada, pois existem muitas perspectivas de dar certo a proposta e uma grande renovação no meu aspecto profissional. Espero que tudo isso se estenda também ao setor pessoal, pois já faz um tempo que estou solteira! Portal Pindaí - Fale sobre a conciliação que você tem que fazer com a Rose mulher, mãe e política. Rosilene - Jornada tripla não é fácil, mas nós mulheres somos muito fortes e auspiciosas! Eu não fujo à regra e tento ser uma boa mãe, mesmo tendo uma tendência de maior dedicação ao trabalho e a política, porque nestes dois últimos, a concorrência e disputa chegam a ser desleal; basta ver que somos maioria da população brasileira e somos minoria na política, temos menores salários, menos cargos de chefias. Então, posso dizer que diante de tantos desafios tento conciliar da melhor forma possível as três coisas, mesmo falhando um pouquinho como mãe. Portal Pindaí - Gostaria que mandasse uma mensagem para o povo de sua terra. Rosilene - Toda essa trajetória de luta, coragem, sucesso e uma incansável alegria de viver, é fruto da chamada escola de berço. Que bom que o meu berço foi Pindaí, embora Guanambí tenha tido sua contribuição! Mas a tudo que sou, devo a todas e todos baianos que sofrem, mas são felizes; que enfrentam os desafios, mas carregam no peito um aconchego, uma coragem, um acolhimento e o abraço mais gostoso, reconhecido pelo Brasil todo! Eu tenho muito orgulho de ser pindaiense e falo isso em todos os lugares. Um beijo no coração de todos e todas e obrigada pelo carinho. A você Lia, minha professora invejável, aquela que com toda inteligência que lhe é peculiar, sempre desafiou o sertão, como uma mulher a frente do seu tempo; para mim uma guerreira linda! Sempre admirei você! Um grande abraço, de uma aluna que nunca falou o quanto lhe admira! Obrigada pela oportunidade!Rose Mendes Portal Pindaí – Rose, parabéns e muito obrigada pela sua entrevista e pela sua brilhante atuação como mulher e profissional! Suas respostas mostraram a garra, persistência, e compromisso de quem sabe o que quer e, principalmente, que faz o que precisa ser feito! Alguém escreveu que “certo escritor uma vez, estava caminhando numa praia deserta, quando avistou à distância um homem recolhendo algo das areias e jogando no mar. Curioso, aproximou-se para ver do que se tratava. O homem avistado recolhia estrelas do mar, que as águas haviam arremessado na areia da praia e as devolvia ao mar. O escritor perplexo ao ver aquilo, disse ao homem: Mas o que você está fazendo? São muitas estrelas... e essa praia é enorme! O homem sorrindo, abaixou-se, pegou mais uma estrela e mostrando-a para o escritor, disse: Pode ser... mas para essa aqui, eu fiz a diferença – e devolveu novamente a estrela ao mar. O escritor passou a noite, pensando no que o homem na praia, havia lhe dito. No dia seguinte, acordou cedo, e foi sorrindo pegar estrelas...” E ai Rose? Já imaginou para quantas pessoas você fez a diferença? Quanta alegria pode proporcionar aos meninos e meninas de rua? Quantas crianças e jovens puderam receber sua atenção e carinho e mudar o comportamento afetivo e social? Ao transcrever sua entrevista fiquei imaginando você, mulher destemida, decidida e indo a luta, buscando dar a sua contribuição para algo muito grandioso e muitas vezes relegado a segundo plano pela insensibilidade de muitos. Carlos Drummond de Andrade disse que “os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres pelo que levam os homens a fazer”. Ao ver sua trajetória, ouso discordar do famoso escritor, porque o papel secundário da mulher, como se fosse uma sombra na vida do homem deixou de existir. Eu diria que os homens distinguem-se pelo que fazem; as mulheres também... Sucessos Rose! Confesso que estamos muito orgulhosos de você e que teremos imenso prazer em acompanhar seu trabalho, que dignifica sua vida e enche de satisfação aqueles que vêm nas suas origens um pedaço de nossa Pindaí. Obrigada pelas suas palavras de carinho dirigidas a mim. Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Dienes Ranieri Nunes Mendes: Charme de um atuante Enfermeiro

Friday, 18 de November de 2011

"Mede a saúde pela alegria que te causam a manhã e a primavera." (Henry David Thoreau) Dienes Ranieri Nunes Mendes é filho de Mozart Mendes Luz (já falecido) e Dalva Nunes Luz. Nasceu em Pindaí no dia 20 de fevereiro de 1984, onde também viveu sua infância e juventude. Iniciou sua vida escolar como aluno da Escola Ana Angélica, concluiu o Ensino Fundamental no Centro Educacional de Pindaí e fez o Ensino Médio no Colégio Modelo, em Guanambi, com conclusão no ano de 2001. Depois disso seguiu para Montes Claros, matriculou-se num cursinho pré-vestibular e no ano de 2003, aprovado no vestibular, ingressou no Curso de Enfermagem na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), concluindo sua graduação no ano de 2007. Depois disso, fez Pós Graduação em Urgência e Emergência no CEPEX/ FUNORTE e atualmente atua na área de enfermagem na cidade de Guanambi. Você pode conhecer um pouco mais deste jovem simpático e atuante, lendo a entrevista que ele nos concedeu e que o coloca como destaque da semana no Portal Pindaí: Portal Pindaí - Você optou por fazer o curso de Enfermagem. Algum motivo especial para essa escolha? Dienes - Escolhi enfermagem porque na época era um curso que estava em alta, o mercado de trabalho bastante amplo, boa remuneração e tinha a possibilidade de retornar a minha terra quando concluísse o curso, pois na época todos os enfermeiros que trabalhavam em Pindaí eram de outras cidades. Quando comecei a estudar em MOC, o curso era o 2º mais procurado entre os pré-vestibulandos. Procurei me dedicar bastante aos estudos e vi a que tinha chance de ingressar no Curso de Enfermagem, mesmo com a grande concorrência. Quando fui aprovado, fiquei muito feliz e hoje tento colocar em prática os conhecimentos que adquiri. Portal Pindaí - Terminado seu curso em 2007, você partiu logo para uma Pós - Graduação? Dienes - Não parti logo para a pós, pois acho que devemos primeiramente ter literalmente uma adaptação ao trabalho, para depois analisar em qual área devemos nos especializar, sempre pensando no contexto em que está inserido. Foi por essa razão que fiz pós em Urgência e Emergência, considerando que o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) estava sendo implantado na região. Trabalhar nessa área além da adrenalina gera o prazer de colocarmos conhecimentos em prática, para salvar vidas. Neste momento, sabemos de fato o valor da profissão e identificamos que pequenos detalhes podem salvar uma vida, valendo a máxima: Faça o que pode, com o que tem, onde estiver! Portal Pindaí - Do tempo vivido em Montes Claros como estudante, ficou alguma lembrança especial? Dienes - É claro que fica. Ficam os amigos, as músicas, os lugares, os momentos e, principalmente a gratidão por essa cidade, cujo amor procuro sempre ressaltar, por tudo que aprendi. Em Montes Claros eu chorei, tive alegrias, fui feliz e, apesar de ter orgulho de ser baiano, fruto de um estado que congrega muitos valores de sua gente, me encantei com aquela cidade, seu povo hospitaleiro e organizado para a prática da cultura e onde se investe muito em educação, berço de grandes educadores como Mário e Darci Ribeiro. Tenho, portanto muitas lembranças saudáveis daquela terra, onde meus conhecimentos transpuseram os muros da Universidade e pude suprir minhas necessidades e anseios. Portal Pindaí - Voltando ao túnel do tempo, gostaria que registrasse momentos que marcaram sua infância e adolescência em Pindaí. Dienes - Minha infância foi muito feliz! Passei boa parte do tempo em brincadeiras no campinho de Netinho, no pó de serra nos fundos de minha casa, alem de alguns momentos na roça, na casa de tios e avós. Guardo em especial saudosa lembrança da nossa querida escola Ana Angélica e quando cursei o pré - escolar no Salão Polivalente. É difícil esquecer aquele macarrãozinho servido na merende e até posso dizer que sinto esse sabor até hoje... O mais importante foram as amizades que perduram até hoje! Portal Pindaí - Como foi seu ingresso no mundo do trabalho, na área de Enfermagem? Dienes - Comecei a trabalhar em Pindaí, onde exercia a função de Coordenador do Centro de Saúde, um trabalho burocrático que me deixou afastado da parte assistencial. Fiquei um pouco perdido, mas logo me adaptei e valeu bastante a experiência desse meu primeiro emprego, onde aprendi bastante. Agradeço muito pela oportunidade que tive e mando um agradecimento especial a João Wilker que orientou minha atuação com muitas dicas importantes. Nesse período identifiquei também que muitos conhecimentos não se aplicam; é preciso adequar a realidade local. O SUS é bonito na teoria, mas precisa melhorar muito na prática. Portal Pindaí - Que atividades mais importantes você desempenha atualmente no seu trabalho em Guanambi? Dienes - Conquistei recentemente o cargo de Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família e realizo atendimentos de pré natal, preventivo de câncer de colo do útero, puericultura, visitas domiciliares e consultas de enfermagem, além de atuar como Coordenador de Unidade e de Agentes Comunitários de Saúde. Sinto-me feliz com o cargo que ocupo, pois tenho autonomia e respaldo para tomar decisões. Portal Pindaí - Vamos falar um pouco de Pedro? Ele é realmente uma graça de menino! Dienes - Meu filho é a coisa mais importante da minha vida! Ele somente veio reafirmar que existem coisas que não tem preço! Quando aprende uma coisa nova, corre para falar comigo e quando chego do trabalho e o vejo é uma sensação inefável! Ele me surpreende a cada dia... Hoje sei que Pedro é meu maior tesouro e me orgulho muito de tê-lo como filho. Os valores que aprendi, mesmo sendo criado sem a figura paterna, foram adquiridos com minha mãe que me conduziu para o caminho da honestidade, amor e principalmente perseverança. É isso que procuro passar para Pedro. Quero vê-lo crescer feliz e conquistando seus sonhos, pois quando se quer algo, a luta gera a conquista. Portal Pindaí - Gostaria que você mandasse uma mensagem para o povo de nossa terra. Dienes – Quero dizer ao povo de minha terra que tenho muito orgulho de ser pindaiense e que adoro esta cidade e não quero sair daqui. Peço aos jovens que busquem conhecimentos porque isso ninguém toma! Tenham perseverança e obstinação e juntos vamos lutar por uma Pindaí cada vez melhor! Aos pais peço que reflitam sobre a relação com os filhos, dando a eles autonomia para agir, pois o mundo é muito mais do que o nosso pedaço de chão e os filhos necessitam de conhecimentos que precisam muitas vezes ser buscado fora daqui. Por essa razão, a força e o estímulo são importantes e mesmo saindo da terra natal, é bom que saibam de onde vieram e que não esqueçam o caminho de volta para casa. As fronteiras nós construímos e as barreiras existem para que nossa luta seja firme no intuito de derrubá-las. Portal Pindaí – Obrigada Dienes pela sua entrevista e parabéns pelas suas conquistas que somente nos mostra que você é persistente e busca crescer com responsabilidade e compromisso. Você fala da saúde com muita sensibilidade e isso comprova que escolheu uma profissão que realiza sua vida. Mahatma Gandhi disse que “a saúde é o resultado não só de nossos atos, como também de nossos pensamentos” e você demonstrou no decorrer de toda a entrevista que desenvolve bons hábitos e tem idéias sadias. Sempre torci muito por você, até mesmo pelos laços de amizades que me aproximam de sua família. É em nome desse aconchego que quero dizer a você: Que Deus o abençoe e o conserve com a mesma beleza interior e exterior. Sua simpatia é cativante! Beijos!!! Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Elsiene Guimarães Aranha Guimarães Carvalho: Advogada e brilhante Analista Judiciária

Friday, 11 de November de 2011

“A medida do amor é amar sem medida”. (Vitor Hugo) Elsiene Guimarães Aranha Guimarães Carvalho (na foto com Júnior, seu esposo e o filho Inácio Manzinni), nasceu no dia 30 de setembro de 1977, filha de Hairton Aranha Azevedo e Carmélia Guimarães de Azevedo. Aluna obediente e dedicada cursou as séries iniciais (1ª a 4ª série) na Escola Ana Angélica, estudou de 5ª a 8ª série no CEP, onde também iniciou o Ensino Médio, seguindo depois para Belo Horizonte, cursando no Colégio Santa Tereza D’Ávila o 2º e 3º ano, tendo posteriormente feito um ano de cursinho pré - vestibular no Pitágoras. Seguiu depois para Brasília com o objetivo de fazer curso preparatório para concursos públicos na área jurídica. Ao optar por fazer Direito, submeteu-se ao vestibular na UESB – Universidade Estadual do Sudoeste Baiano no ano de 1999, concluindo sua graduação no ano de 2005, prestando Concurso Público para Analista Judiciário, cargo privativo para Bacharéis em Direito no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, com lotação inicial em Vitória da Conquista. Fez depois Pós – Graduação Lato Sensu em Direito Processual – Universidade Anhanguera – UNIDERP, através da Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes. Ainda morando em Vitória da Conquista, conheceu Jesuíno Guimarães Carvalho Júnior e, tendo definido que o amor brotado entre eles deveria culminar com o casamento, providenciou sua transferência para a cidade de Guanambi, onde passou a atuar, mesmo residindo em Pindaí, dividindo seu tempo e cuidados com o filho Inácio Manzinni Aranha Guimarães Carvalho, sua família e as tarefas decorrentes de sua atuação como membro ativo e atuante da Igreja Batista de Sanharó, dirigida pelo seu esposo. Mas vocês podem conhecer mais essa jovem atuante, inteligente e organizada, acompanhando a entrevista que ela nos concedeu e que a coloca como destaque da semana no Portal Pindaí: Portal Pindaí - Todos nós conseguimos gravar na mente lembranças que marcaram a fase infantil e adolescência. O que ficou mais marcado para você? Elsiene - A minha infância foi maravilhosa. Diferente do que acontece com a geração atual, tive o privilégio de viver verdadeiramente aquela fase, com muitas brincadeiras de bonecas, casinha, amarelinha, roda, pega-pega, pé-na-lata, esconde-esconde, baleado, piqueniques, dentre outras. São tantas lembranças lindas, principalmente quando aos domingos ia a casa dos meus avós paternos, Vô Miguel e Vó Elza, e que a família toda se reunia e era aquela festa! Chegávamos pela manhã e só saíamos após o programa “Os Trapalhões”, que naquela época era mesmo engraçado. A minha adolescência foi tranquila, não tive grandes conflitos, porque sempre respeitei e obedeci às orientações de meus pais, o que facilitou bastante todo o processo de mudanças, naturais dessa fase. Certamente o que mais marcou minha adolescência foi a mudança para Belo Horizonte/MG, com 16 anos de idade. Saí de um extremo para o outro – de uma cidade pequena, onde todos sabem quem somos e todas as necessidades e decisões são supridas pela presença e cuidado dos pais, para o anonimato, mais um no meio da multidão de uma grande metrópole, longe das “asinhas” protetoras dos pais. Sem dúvida, os princípios, valores e estrutura familiar foram essenciais para vencer aquela etapa difícil, mas compensadora. Portal Pindaí - Você é filha de pais professores, que dedicaram muito tempo à educação no município de Pindaí e que tiveram a preocupação em dar boas condições de estudos aos filhos. Isso interferiu de que forma na sua vida estudantil? Elsiene - Meus pais são, indiscutivelmente, grandes exemplos de vida, integridade e coragem. Eu agradeço a Deus pelo amor incondicional, dedicação e renúncia deles. Eles abdicaram dos próprios sonhos e objetivos para viverem os dos filhos. Foi por esta razão que resisti e enfrentei todos os obstáculos que surgiram durante a minha vida estudantil, encarando os estudos com seriedade e responsabilidade, sempre motivada a fazer o melhor, para honrá-los. Quero aproveitar dessa oportunidade para dizer que eu amo vocês, painho e mainha! Obrigada por tudo! Dedico a vocês todas as minhas conquistas. Que o Senhor derrame sobre vocês toda sorte de bençãos celestiais! “Que o Senhor os abençoe e os guarde; que o Senhor os trate com bondade e misericórdia; que o Senhor olhe pra vocês com amor e lhes dê a paz” (Nm 6:24-26) Portal Pindaí - Por que fez opção pelo Curso de Direito? Elsiene - Fui para Belo Horizonte para estudar e me preparar para fazer medicina, queria ser Pediatra. E contra todos os testes vocacionais que fiz no colégio onde estudei, mais ou menos uns quatro, o resultado era sempre Direito, mas mesmo assim insisti em fazer vestibular para medicina. Frustrada por ter perdido por apenas dois décimos, na UFMG, resolvi ir para a Capital Federal fazer concurso público e trabalhar, para não sacrificar mais meus pais, que discordaram. Em Brasília comecei a estudar para prestar prova na área jurídica e foi ai que tive o primeiro contato com Direito Constitucional e Administrativo e, inevitavelmente, me apaixonei. Somado a isso, o clima muito seco de Brasília me levou ao hospital algumas vezes e naquele ambiente, conclui definitivamente que não nasci para ser médica. Basta um pouco de sangue ou um furúnculo inflamado e já fico abalada. Resolvi então fazer Direito e prestei vestibular da UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em Vitória da Conquista, sendo aprovada. A cada dia tenho mais certeza de que fiz a melhor escolha e que não deveria mesmo fazer outro curso. Ademais, hoje vejo claramente o propósito de Deus em tudo, pois foi em Vitória da Conquista, no segundo semestre do curso, no ano de 2000, tive uma experiência real com o Senhor Jesus, meu único e suficiente Salvador. Portal Pindaí - A Pós Graduação em Direito Processual foi devido ao seu concurso? Elsiene - Sim. A Pós foi um presente bancado pelo Tribunal de Justiça, em parceria com a AMAB – Associação dos Magistrados da Bahia, para os Juízes e Analistas Judiciários do quadro de servidores, diante da necessidade de um específico e profundo conhecimento em direito processual, para o exercício do cargo. Portal Pindaí - Você ingressou na OAB? Elsiene - Sim. Fiz e fui aprovada na prova da Ordem um ano após a formatura. Logo que me formei eu já estava inscrita no concurso do Tribunal de Justiça da Bahia e escolhi me dedicar e estudar primeiro para o concurso e só depois para a prova da OAB, pois nunca tive a intenção de exercer a Advocacia. Durante todo o curso sempre tive a convicção de que não me realizaria profissionalmente como Advogada. Nada tenho contra, pelo contrário, respeito e reconheço a insigne importância desse profissional no meio jurídico, mas não é o meu perfil. Uma das grandes vantagens do Curso de Direito é o imenso leque de opções e possibilidades, sobretudo as carreiras jurídicas acessíveis através de concursos públicos. Portal Pindaí - Como foi seu ingresso no mundo do trabalho? Elsiene - Abençoado por Deus! Muito tranquilo! Fui nomeada e entrei em exercício, seis meses após a formatura e cinco meses após a aprovação no concurso, assumindo a Vara do Júri, Crime e da Infância e Juventude da Comarca de Vitória da Conquista, onde fui estagiária da magistratura por cerca de um ano e meio. Já estava familiarizada com as práticas processuais e com todo o quadro de servidores. Fui muito bem recebida por todos e orientada por profissionais experientes e dedicados. Portal Pindaí - Seu casamento foi algo também importante na sua vida e por causa dele você mudou de Vitória da Conquista para trabalhar em Guanambi. Como está se sentindo nessa nova etapa de vida? Elsiene - Realizada e plenamente feliz. Eu louvo, exalto, engrandeço e agradeço ao Senhor por tanto zelo, bondade e misericórdia. Meu casamento é um presente de Deus. Meu esposo é meu grande amor, meu parceiro, cúmplice, amigo, companheiro, escolhido e separado por Deus para tornar sonhos em realidade, para ser instrumento e canal de benção em minha vida. Júnior é um homem segundo o coração de Deus e o seu compromisso e amor por Jesus me impulsiona a ser melhor. Nossa história é selada pelos milagres e fidelidade de Deus, a começar pela minha remoção para Guanambi. Deus operou milagres para que eu fosse removida para esse local, já que a remoção somente poderia ser requerida após o período de três anos de estágio probatório. Como não há nada impossível para Deus, o meu pedido foi deferido, em tempo recorde e com promoções na carreira jurídica. Já são cinco anos de felicidade e muitas bençãos. A maior delas é Inácio, nosso filho amado, nossa herança do Senhor. A Palavra de Deus nos garante que Jesus nos dá vida e vida em abundância. Vivemos essa promessa de Deus em todas as áreas. É por essa razão que digo: Obrigada Senhor! Reconheço que nada sou, nada mereço e tudo que tenho é por causa do favor, graça e fidelidade do Senhor! EU TE AMO JESUS! Portal Pindaí - Como faz para conciliar seu trabalho, sua vida como esposa e mãe com a dedicação religiosa que você tem? Elsiene - Quando somos reconciliados com Deus, todo o resto funciona e acontece perfeitamente. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas vos serão acrescentadas”. Esse é o segredo. Eu busco obedecer a Palavra de Deus e colocar as coisas na ordem certa - primeiro Deus, depois a família, em terceiro a igreja, por fim o trabalho, em tudo com muita dedicação, amor, paciência e a responsabilidade devida. Meu esposo é meu grande parceiro nesta caminhada e estar perto da família é um grande auxílio, pois conto sempre com todos, principalmente com minha mãe e minha amada sogra. Portal Pindaí - Mande uma mensagem para o povo de Pindaí. Elsiene - Para termos uma vida feliz, alegre, próspera e abençoada por Deus, devemos aprender a obedecer, crer e adorar a Deus e a glorificá-lo em tudo o que fizermos, entregando a Ele, a Jesus, a nossa vida, os nossos sonhos e Ele realizará em nós a sua boa, perfeita e agradável vontade.“Confie no Senhor de todo o coração e não se apóie na sua própria inteligência. Lembre de Deus em tudo o que fizer, e Ele lhe mostrará o caminho certo” (Pv.3:5).“Pois Tu, ó Senhor Deus, abençoas os que te obedecem, a tua bondade os protege como um escudo” (Sl 5:12). Ao site Portal Pindaí agradeço pelo convite e parabenizo pela grande iniciativa e, sobretudo, pela sensibilidade em reconhecer, incentivar e apoiar aqueles que se dispuseram a estudar e contribuir para o sucesso de nosso Município. Parabenizo, ainda, e em especial, a tia Lia, que sempre se dedicou a esta cidade e tem doado o seu tempo, capacidade e inteligência para a realização de grandes projetos. Que o Senhor derrame sobre você grandes bençãos. “"ESPERA NO SENHOR, anima-te, e Ele fortalecerá o teu coração; ESPERA, pois, NO SENHOR."(Sl. 27: 14). Finalmente, para crer e meditar: "Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus”.(Mt. 10: 32) Portal Pindaí – Parabéns Elsiene! Você apresentou grandes lições de amor na sua entrevista, ao se referir a Deus e Seu Filho Jesus Cristo e ao falar de seus pais, esposo e filho. Tudo isso transporta para você e para as pessoas ao seu redor, uma aura positiva e muito abençoada, pois como disse Mário Quintana, “viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz”. Muito interessante também seu amadurecimento e responsabilidade com a profissão que escolheu e que faz de você uma profissional competente, executando o que gosta e que a realiza. Esse seu jeito simples e dosado com meiguice e carinho somente contribui para que muitas bençãos aconteçam ao longo de sua vida. Obrigada pelas suas palavras dirigidas ao nosso site e a mim especialmente. Ao agradecer a concessão dessa entrevista, dando-nos oportunidade de conhecê-la mais profundamente, reforço duas qualidades perceptíveis nas suas colocações: Força e coragem. Aliadas a elas, Lao - Tse disse: “Ser profundamente amado por alguém nos dá força; amar alguém profundamente nos dá coragem. Que Deus continue abençoando sempre sua vida! Lia Borges – www.portalpindai.com.br
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Ionala Novais de Azevedo Borges: Amor pela Educação

Friday, 4 de November de 2011

“Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo". (Paulo Freire) Ionala Novais de Azevedo Borges nasceu no dia 25 de julho de 1977, filha de Geraldo Teixeira de Azevedo e Eurides Novais de Azevedo. Cursou as séries iniciais nas Escolas Ana Angélica e Jerônimo Borges, fez as séries finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio no Centro Educacional de Pindaí e depois cursou Pedagogia na UNEB – Campus de Guanambi, concluído no ano de 2005. Casada com Cleber Borges Câmara, curte com muita alegria o filho Hotton David de Azevedo Borges e depois de um período fora daqui, morando em São Paulo, retornou a Pindaí, onde exerce o cargo de Coordenadora do PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Você pode conhecer um pouco mais sobre essa Educadora simpática, inteligente e atuante, lendo a entrevista que ela nos concedeu e que a coloca como destaque da semana no Portal Pindaí. Portal Pindaí - Como foi a continuação dos seus estudos? Que curso fez? Ionala - Os alunos concluintes do Ensino Médio, como eu, após passarem grande parte da vida dentro da escola, defrontam-se com a problemática a respeito de quais decisões tomar em relação às possibilidades de continuidade com os estudos e de inserção no mercado de trabalho. No meu caso optei por fazer licenciatura plena em Pedagogia na UNEB, me formando no ano de 2005 porque era a única opção que tinha no momento. Sinceramente me apaixonei pelo curso, pela profissão, pelos pedagogos que felizmente ainda fazem diferença nesse mundo. Se nascesse hoje e Deus me perguntasse: “O que quer ser quando crescer”? Eu diria sem relutar: Educadora. Portal Pindaí - Gostaria que você registrasse lembranças que ficaram na sua memória do tempo de criança e adolescência em Pindaí. Ionala - Tem coisas que ficam na memória e, na primeira oportunidade, a gente se lembra. É o que acontece comigo quando ouço mestre Salustiano com toda sua cultura popular. Recordo-me de toda minha infância e juventude saudáveis, dos bailes de carnaval, das discussões com amigos para selecionar quem dançaria o pau de fita, do futebol, das quadrilhas de São João, dos momentos de escola, dos amigos que ficaram e dos que partiram para sonhar sonhos possíveis e dos amados professores que com toda sabedoria nos mostrava o melhor caminho a seguir. Portal Pindaí - Como foi a mudança para São Paulo? O que fez nas terras paulistas? Ionala - Minha decisão de ir para São Paulo foi recebida com muita tristeza pela minha família, uma vez que aqui em Pindaí eu já tinha estabilidade profissional. Mas sempre alimentei o sonho de morar em terras paulistas. Quando cheguei a São Paulo decidi fazer um concurso, passei e fui trabalhar numa instituição de recuperação de menores infratores. Foi um período difícil, de medo e de muita reflexão na minha vida, pois, para uma jovem do interior da Bahia aquele mundo só existia em filmes. O medo com o tempo passou e comecei a entender que era preciso fazer diferença e juntamente com aqueles jovens comecei, com ajuda de toda equipe pedagógica a ministrar oficinas de cinema, de artesanato, de música e dança, dentre tantas outras, que deram certo. Depois de um ano nesse trabalho, passei em outro concurso, dessa vez como Professora do Estado de São Paulo. Saí da instituição e passei a lecionar para crianças da 1ª série. São Paulo me acolheu muito bem e as lembranças que tenho de lá são lindas e realmente marcaram época na minha vida. Alguma coisa realmente acontecia no meu coração, quando atravessava a Ipiranga e a Avenida São João, lembrando a frase de Caetano Veloso na canção que tem o título de Sampa. Portal Pindaí - Fez algum curso de especialização? Ionala - Quando comecei a lecionar pelo Estado em São Paulo, na minha pequena turma de 40 alunos tinha uma criança com autismo e naquele momento percebi que era necessário fazer uma especialização, uma vez que a inclusão é um direito na vida de qualquer pessoa e representa a busca de inovações no mundo escolar. Decidi me especializar em Educação Especial e Inclusiva, podendo atuar melhor nesse aspecto que representa o princípio democrático da educação para todos, com critérios de aceitação e respeito. Portal Pindaí - Você saiu de Pindaí para encontrar sua cara metade em São Paulo? Como foi esse conhecimento que culminou com seu casamento? Ionala - Eu conheci Cleber aqui mesmo na Bahia, mais precisamente num forró no Povoado de Sanharó. Começamos a namorar a distância e um ano depois na impossibilidade dele vir morar aqui, fui morar em São Paulo. Nosso casamento foi lá, onde também recebemos nosso lindo filho Hotton, que muito abençoado, foi um anjo nos momentos mais difíceis de nossas vidas e representa um fortalecimento especial que possibilita continuar nos amando cada dia mais. Portal Pindaí - De volta a Pindaí você atualmente coordena o PETI. Como está sendo essa experiência em sua vida? Como é a rotina desse trabalho? Sua atuação em São Paulo tem ajudado de alguma forma essa coordenação? Ionala - Assumir a coordenação do PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil foi um desafio. Inicialmente tive que entendê-lo, não apenas numa visão pedagógica, mas como componente do Sistema Único de Assistência Social. Hoje retiramos mais de 400 crianças e adolescentes do trabalho infantil, articulando ações que oportunizam acesso à escola formal, saúde, alimentação, esporte, lazer, cultura e profissionalização, através de cursos oferecidos pelo CRAS que também coordeno. Além disso, buscamos melhorar a convivência familiar e comunitária dessas crianças e adolescentes e estamos lutando para mudar a visão preconceituosa que muitos têm do programa. Como o bom educador não desiste nunca e para mim em especial, a convivência em São Paulo provou isso, tenho procurado, juntamente com toda a equipe da Assistência Social, de braços dados com os educadores sociais do PETI, dar uma nova roupagem a esse Programa do Governo Federal que tem como principal objetivo o apoio às famílias carentes, inserindo-as, quando necessário, no serviço de convivência e fortalecimento de vínculos. Portal Pindaí - Deixe uma mensagem para o povo de nossa terra. Ionala - Ao povo querido de Pindaí, terra que tanto amo, deixo uma mensagem de Caio Fernando Abreu que com imensa sensibilidade nos emociona a cada dia: “Te desejo uma fé enorme, /em qualquer coisa, não importa o quê./ Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias,/Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo;/ Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso;/ Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes;/Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito./Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a idéia da alegria./Tomara que apesar dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz./As coisas vão dar certo./ Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa./ Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma./ Certo, muitas ilusões dançaram./ Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas”. Obrigada! Portal Pindaí – Obrigada Nala, pela sua entrevista e parabéns pela sua garra e determinação em fazer a diferença, face aos desafios que cercam o campo da educação. Você teve oportunidade de trabalhar com segmentos sociais bem diferenciados, atuando inicialmente com menores marginalizados, depois com crianças na fase inicial de aprendizagem, com a realidade de lidar com o autismo e agora está empenhada em ajudar pessoas de sua terra natal, no combate ao trabalho infantil, através do PETI, cujo programa está coordenando. Você fez menção a preconceito existente com relação a esse trabalho, mas registra também, além da preocupação pelo fato, a ação através da concentração de esforços que denotam a união de toda a equipe envolvida. Isso com certeza garante sucessos na luta de vocês. Paulo Freire disse que “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho, as pessoas se libertam em comunhão.” Parabéns pelo espírito de trabalhar coletivamente em prol daquilo que acredita!
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