“Pessoas especiais deixam mais que saudades e lembranças, pois elas levam mais do que nosso pensamento… levam uma parte de nosso coração”! (Aline de Campos)
Quando recebi e li a entrevista que preparei para esta semana, confesso que uma miscelânea de sentimentos antagônicos brotou em mim, à medida que lia as respostas dadas pela entrevistada: Sorri, dei gargalhadas, chorei, senti saudades, me emocionei, viajei de volta ao tempo, reencontrei pessoas e situações e fiquei completamente embevecida com a fluência de idéias dessa “menina, moça, mulher” que com precisão de detalhes - característica das mentes privilegiadas - relembrou minuciosamente sua passagem por Pindaí, não se esquecendo de citar pessoas que estiveram ao seu lado, numa franca demonstração de que realmente viveu aqui uma etapa que marcou sua vida. Estou falando de Jane Maria Avelina Novato Meireles, nascida em 20 de março de 1964, filha de José Tudes Novato (Tudinho) e Maria José de Figueiredo (Dona Dé).
Ela estudou as séries iniciais em Caetité, onde também cursou a 5ª série, transferindo-se depois para o Centro Educacional de Pindaí, onde cursou a 6ª e 7ª séries, concluindo o Ensino Fundamental no Colégio S.S. Sacramento (Sacramentinas) em Salvador. Depois disso seguiu para Belo Horizonte para fazer o Ensino Médio no Sistema Pitágoras, ingressando posteriormente no curso de Direito da UFBA – Universidade Federal da Bahia no ano de 1984, graduando-se em 1990. Especializou-se em Direito Urbanístico e atualmente é Procuradora Geral em Mata de São João, na Bahia.
A entrevista que ela nos concedeu fecha com “chave de ouro” neste ano, o trabalho de divulgação de nossos destaques, iniciado em janeiro de 2011 e vai oportunizar aos nossos leitores conhecer um pouco mais desta caetiteense por nascimento, mas pindaiense de coração e por opção. Com grande merecimento, Jane é o destaque da semana do Portal Pindaí:
Portal Pindaí - Apesar de você não ter nascido em Pindaí, esteve por algum tempo nessa terra e com certeza é pindaiense de coração. Vamos falar de lembranças? Recordações?
Jane - Querida Lia, nunca tive dúvidas do meu imenso amor por Pindaí, cidade que acolheu a mim e a minha família em tempos pretéritos. As lembranças dos momentos vividos são latentes e, foi assim, que eu me entreguei às reminiscências…
Eu tinha doze anos de idade, nos idos de 1976, quando fui, efetivamente, morar em Pindaí. Meu pai (Seu Tudinho) havia adquirido uma propriedade do seu pai (Juca Borges) às margens de uma estrada federal e ali implantado um posto de gasolina lindeiro à nossa residência. À época o posto, que se chamava Suçuarana, ficava distante do centro da cidade e eu me sentia solitária e insegura por muitas vezes…mas isso foi por muito pouco tempo…logo, logo estava matriculada no Centro Educacional de Pindaí – CEP e principiando uma das fases mais importantes e mais prazerosas da minha vida.
A vivência no CEP merece destaque memorial: Foi lá que conheci e convivi com muitos do que são hoje os meus melhores amigos, a exemplo de Zilda Veiga (Dida) e Lia Borges, pessoas com as quais mantenho contato até os dias hodiernos.
Também jamais poderia me esquecer dos mestres e amigos que circulavam por aquele prédio de destaque educacional, a exemplo de Dona Verbena (com as maravilhosas aulas de “Educação Para o Lar” e “Programa de Saúde” e receitinhas bem elaboradas). São várias as receitas culinárias de Dona Verbena, mas tem uma especial que se chama “Joanitinhas” (é um doce de banana com coco, enroladinho como brigadeiro, passado no açúcar e com um cravo-da-índia no centro). Maravilhoso… É a lembrança mais doce daquele caderninho estilizado de receitas, todo decoradinho com gravuras de bolos, doces e salgados recortados das revistas…
E como não lembrar Dona Assunção e as suas fantásticas aulas de Português Brasileiro, com relevo para as aulas de redação? (uma vez eu até ganhei o concurso da melhor redação e o prêmio foi um álbum de fotografias). Dona Assunção adorava prender os cabelos com lenços das mais diversas tonalidades e cores. Eu adorava os lenços de seda da Professora Assunção!
Tinha ainda as aulas de Matemática com o Professor Haírton Aranha (eu morria de medo do Professor Haírton, sempre austero, compenetrado e eficiente no seu mister). Mas a Matemática foi o meu algoz por toda a vida, uma espécie de capitão-do-mato, sádica, perversa… Ah! A Matemática…
As aulas de Geografia eram com o Professor João Porto (foi com ele que eu soube, pela primeira vez, da existência de um país chamado Kuwait). O interessante é que, quando da Guerra no Golfo Pérsico, com o Kuwait em evidência, eu sempre me lembrava desse saudoso Professor!
As aulas de Artes Plásticas eram com a Professora Lia Cotrim, carinhosamente chamada “Lia de Bené” - ainda, em tenra idade, eu tinha sido a sua daminha de honra quando do seu matrimônio. Lembro-me até hoje do porta-alianças azul-marinho com frisos dourados - Eu amava as aulas de Artes…o colorido do papel laminado, do papel camurça, crepom, seda…(aprendi diferenciar e conhecer esses papéis com a Professora Lia). Fazíamos trabalhos lindos em todas as ocasiões, todavia destaco os da Páscoa…Uma certa vez fizemos no caderno de desenho, com o uso dos papéis outrora listados, um cálice, com uvas e trigo (símbolos do cristianismo) e ainda fizemos um coelhinho com corda de sisal e feltro. O rostinho do coelho era de feltro laranja e a roupinha marrom. A professora Lia dizia que laranja e marrom era uma excelente combinação de cores e, incrível, até hoje eu admiro essa sugestão! Esse coelhinho enfeitou o meu quarto por muitos anos e depois o quarto do meu sobrinho José Adolfo.
As aulas de Educação Física eram dadas pelo professor Antonio Aranha no campo de futebol da cidade. Lembro-me bem que em tempos chuvosos o campo ficava todo florido com os lírios do campo (as pessoas mais antigas chamavam os lírios de “cebola de urubu” e, até hoje, eu não entendo o porquê). O Professor Antonio Aranha também era rigoroso e tem um episódio engraçado que o envolve, o qual passo a narrar: Todas as segundas-feiras a gente se enfileirava defronte ao CEP para cantar o Hino Nacional. Eis que, num belo dia, por iniciativa minha, encontramos (eu, Dida e Ritinha de Nélson) um farrapo, bem farrapo mesmo e o dependuramos em um graveto, fazendo remissão à Bandeira do Brasil. O Professor Antônio Aranha ficou indignado e nos encaminhou para a Diretoria. Foi um escândalo… Nenhuma de nós nunca tinha ido para a Diretoria. Dona Assunção, Dona Verbena e você, Lia Borges, ficaram perplexas! Desde o ocorrido nunca mais brinquei com a Bandeira e aprendi a lição de respeito aos Símbolos Nacionais.
Outra professora que me marcou muito foi Eldivina (Dona Vininha). Tínhamos aulas de OSPB e Religião com uma precisão histórica impressionante! Essas aulas despertavam em nós os melhores sentimentos cívicos, cristãos, fraternos e solidários. Esse trabalho com certeza, concorreu para que todos nós, crianças à época, em adultos melhores. Eu tinha e tenho um apreço muito especial por essa mestra e amiga.
Já as aulas de Inglês e História eram ministradas pela ora entrevistadora Lia Borges… Preciso respirar fundo para que a emoção não macule a coerência da narrativa. Isso porque eu fui aluna e sou amiga de um dos melhores seres humanos que conheci na vida. E, certamente, todas as lições imorredouras por ela outorgadas marcaram de forma indelével a minha personalidade e a minha trajetória de vida.
Tenho um prazer especial pelo conhecimento, seja ele literário, histórico, popular ou jurídico…e para isso eu fui motivada, bastante motivada…As aulas de História eram mágicas e surpreendentes (desde a História do Brasil até a História Mundial). Lembro-me, com uma clareza solar, das aulas sobre a Segunda Guerra Mundial (Nazismo, Fascismo, etc) e da sua sutileza elegante ao falar sobre o golpe de 1964, já que vivíamos, naquela época, em plena Ditadura Militar.
As aulas de Inglês eram um sucesso! Até hoje eu sei um texto do nosso livro de Inglês que retratava um diálogo entre um garçom e um cliente no restaurante (Bring me ham and eggs, a roast chicken, Green salad… e por aí vai).
O CEP era o nosso mundo melhor…mundo do conhecimento e das alegrias juvenis. Lembro-me do nosso recreio, das guloseimas da cantina, da caderneta de débitos (o famoso fiado) - bom rememorar que as nossas dívidas estão prescritas -, do pastel de Dita, das descobertas e das amizades… A cantina do CEP era o sonho de qualquer guloso (doces de abóbora em formato de coração, doce de banana na forminha comestível, maria-mole, suspiro, chicletes ping-pong e ploc). Com o dinheiro contadinho ou, às vezes, sem dinheiro algum, nem sempre a gente podia se deleitar… Daí, por sugestão sua, foi criada a cadernetinha para que a gente não se privasse dos desejos. E a alegria foi tanta que a gente extrapolou… Todavia, como antedito, os débitos estão prescritos, e eu sei que desde o início, mais do que auferir lucro, você queria mais é que a gente fosse feliz!
E por que não falar de amigos da escola? Pindaí me proporcionou grandes e eternas amizades como a de Zilda Veiga (Dida), parceira de todas as horas, de todos os momentos. Foi a ela que eu confidenciei o meu primeiro sutiã, a primeira menstruação, o primeiro amor ao estilo Romeu e Julieta, os anseios mais secretos. Fazíamos juntas os trabalhos da escola, onde o mais importante era a capa - toda desenhadinha com o Pato Donald, Mickey, Mônica, Cebolinha - jamais o conteúdo.
Lembro-me bem que a gente se reunia na Casa do Senhor Tibora, pai da minha amiga Rita e da minha amiga Zilda (essa é outra Zilda) para fazermos os trabalhos. E a gente dançava a tarde inteira (Rita tinha uma vitrola e vários discos de Martinho da Vila, Agepê, Fernando Mendes, José Augusto, etc), e a música que a gente dançava era uma de Martinho da Vila que tinha o seguinte refrão “você não passa de uma mulher… menina-moça também é mulher”, e o tempo passava e nada de trabalho pronto, só a capa estava pronta. Aí o desespero era geral! Quantas vezes fomos chorar no seu ombro para que você dilatasse o prazo de entrega do trabalho com as nossas mais sinceras escusas? E a gente mostrava a capa toda desenhadinha e com fitinhas nas laterais para você se emocionar. E então? Prazo concedido!! E aí começava tudo de novo, trabalho novo, capa nova, disco na vitrola e o tempo passando…
Juntas, eu e Dida, fundamos o Clubinho Raul Seixas. Ele funcionava na casa adjacente à sua e também de propriedade de Seu Juca Borges, onde, tempos mais tarde, foi implantado o Hospital Municipal. Foi você quem nos cedeu o imóvel para mais um sonho juvenil.
As tardes no clubinho eram maravilhosas… Trazíamos merenda de casa (beiju, requeijão, lata de marrom-glacê) e escutávamos música em uma vitrola antiga que minha mãe (Dona Dé) havia cedido para o clube. Também fazíamos apresentações de música e dança e tínhamos vários recortes de jornais e revistas contendo notícias de Raul Seixas, bem coladinhos nos cadernos de desenho. A gente também tinha várias notícias colacionadas da atriz Lídia Brondi.
Eu amava e amo os meus amigos de Pindaí…Com todos eles tenho uma história para contar e isso custaria páginas e mais páginas escritas. Todavia, jamais posso deixar de mencionar a grande amizade que nutro por Marta Borges, minha querida amiga de travessuras e traquinagens… Era com Marta que eu badalava o sino da igreja em horários incongruentes, deixando Sá Lió possessa! Para trás ficavam as vassouras e outros instrumentos utilizados para alcançar a corda que guiava o badalo do sino. E a gente se abrigava na casa de Maria de Seu Nô, no Bar do Senhor Tião Calango e tantos outros, para juntas nos divertirmos com os xingamentos de Sá Lió: “Isso é coisa da lesma de Tudim, da foguete de Jeromo Borge, da Tifuti de Duvige e uma tal de Orela”. Isso porque a minha amiga Eliane, filha de Edwirgens, também participava da brincadeira algumas vezes, como também a minha prima Aurélia.
E são tantas histórias e tantos amigos que eu vou tentar ser mais concisa. Outra amiga de importância singular é Maria Dolores Veiga (Dola) e sua paixão incontestável por Roberto Carlos. E como esquecer Joelita? Amiga de valor que passava grande parte do tempo comigo quando eu ainda morava no Posto Suçuarana. A mãe dela, Dona Lió, costurava lindos vestidinhos para a gente com tecidos que ela trazia de São Paulo ou adquiridos nos mascates da feira nos dias de Sábado. E tinha Ritinha de Nélson que me apelidou de “Quatro olhos” e “Galinha Cega”, praticando, na vanguarda, o famoso “Bulliyng”, tinha Isaura, Iraci, Edite, Laudi, Agmarina, Glória, Valdite, Suzelene, Soraya, Geralda, Dina, Terezinha (Na casa da roça de Dina e Terezinha era feita a melhor pamonha de milho do mundo), Ilídia, Lucinha de Migdom (Seu Migdom era marceneiro e foi dele a idéia de fazer uma estante pequenina de madeira para que eu pudesse brincar com as minhas bonequinhas de papel), Silvan, Sil, Lurdete, Lourdes do Sr, Otacílio, Betinho (quantas saudades de Betinho, outro amigo de travessuras – Lembra-se Betinho de quando a gente andava, eu, você, Juarezinho e Aurélia na estrada federal para poder ver a “Aurora do Dia”?), Jesus Aparecido, Isauro, Dondinha, Wagner, Sissi, Carmélia, Maria Gorete (Nem), Marivone, Rita e Zilda de Tibora e tantas outras pessoas com quem tive o privilégio de conviver…
E tínhamos tantas atividades e tantas alegrias que esta última se potencializava com a chegada do circo na cidade. Ficávamos todos alvoroçados com a chegada do circo e separávamos as roupas domingueiras para o espetáculo. O mesmo circo se aportava em Pindaí em períodos distintos e a gente já conhecia os seus integrantes: o palhaço “Moleza” e a menina Isabel (que tinha um sinal no rosto característico). Ela dançava rumba e mambo e escalava o trapézio, também atuava em outras apresentações como coadjuvante. Eu e Dida éramos amigas da menina Isabel. Uma vez a presenteei com uma das minhas melhores bonequinhas de papel e foi com ela que eu aprendi que a vida também tinha sentimentos pouco ortodoxos como, por exemplo, a traição. Não obstante tanta atenção e carinho, eu fui covardemente traída pela menina Isabel que tentava se encontrar, furtivamente, com o meu namorado de então. E a decepção foi tanta que fui, muitas vezes, consolar-me com Dedega (minha amiga-irmã), Pilis, Maria e Terezinha de seu Nô. Foi uma lição de vida essa constatação… Mas o circo era bacana e eu soube perdoar a menina Isabel. O perdão é um exercício diário que a gente tem a obrigação de fazer para sobreviver neste mundo não é? E tudo era alegria como antes, e eu até ganhei o concurso de menina bonita patrocinado pelo circo e fui muito ovacionada pela platéia.
E os jogos intermunicipais de baleado? Eu, particularmente, nunca gostei muito de esportes, de uma forma geral, porque era e sou muito míope. No baleado então, eu era a primeira a ser baleada e todo mundo já sabia disso. Mas, um dia, nós fomos jogar com a seleção de Candiba, que era considerada a melhor da região e, pasmem! Eu consegui encaixar uma bola. Minhas amigas ficaram estarrecidas com o feito, mas isso foi uma mera coincidência e no decorrer do jogo eu fui logo baleada.
Não posso esquecer e jamais deixar de mencionar uma grande amiga que tive em Pindaí e que perdi prematuramente: Marilene. Ela era neta de Seu Joãozinho da Tabua e de Dona Duzinha, filha de Avani Godrim, grandes amigos dos meus pais (Seu Tudinho e Dona Dé). Seu Joãozinho era como um protetor para a gente e sempre dormia no Posto Suçuarana para cuidar de mim e de minha mãe quando o meu pai se ausentava. Marilene tinha a minha idade e vários irmãozinhos menores, dentre as quais, soube mais tarde, a Magistrada Rosa Godrim (a nossa linda Rosinha). Eu e Marilene éramos inseparáveis e nutríamos, uma pela outra, grande afeto e admiração. Quando Marilene adoeceu e partiu desta vida eu não entendia muito bem o que era não existir mais. Naquela noite, quando do seu falecimento, eu não dormi direito e sentia dores por todo o corpo me lembrando do choro e da dor de Dona Duzinha… mais tarde eu entendi que o que eu sentia era angústia e sofrimento… Eu também convivi com um anjo de Deus!
E os nossos dias transcorriam com os compromissos de costume e a gente aguardava com ansiedade os dias de Domingo. Sempre tinha o futebol dos casados X solteiros e a missa matinal com o Padre Arnaldo. Na missa a gente desfilava os vestidinhos novos e exercitava os nossos sentimentos cristãos. E foi aí Lia que você, mais uma vez, inovou e implantou o Grupo de Jovens – Eu era a Presidente do Grupo de Jovens e Dida era a Secretária - Nos reuníamos em tardes pré-agendadas na igreja para os trabalhos que ora se iniciavam. E a gente aprendia músicas do Padre Zezinho (Um jovem Galileu, Maria de Nazaré, dentre outras) e fazíamos visitas às pessoas menos favorecidas para prestar o nosso apoio e solidariedade. E foi assim a nossa visita à casa do Senhor Patrocínio (que tinha perdido a esposa prematuramente e cuidava dos filhos pequenos). As crianças estavam desnutridas e necessitando de cuidados emergentes. Foi na casa do Senhor Patrocínio que eu aprendi a fazer arroz e a ter empatia pelo próximo. Naquele dia nós cuidamos das crianças e da casa daquele senhor tão sofrido e tão receptivo. A partir de então eu tive a convicção de que sempre poderia ser uma pessoa melhor, se quisesse.
E eram tantas as atividades do Grupo de Jovens, você se lembra? Nós encenamos a vida e trajetória de São João Batista, recorda-se Lia? Eu fazia o papel de Herodíades e Eliane o de Salomé. Você dirigia a nossa atuação e coube a Dida criar a cabeça de São João Batista que ia ser ofertada a Herodes. Lembro-me que Dida enrolou um coco com papel crepom cor-de-rosa e fez dois olhos enormes, com cílios e tudo (era a cabeça de João Batista que eu tentava equilibrar na bandeja).
Noutro giro, eu abro um parêntese para falar de pessoas bacanas, como Cátia Borges (Catu) que sempre foi muito vaidosa e bonita (o meu marido Paulo Meireles a acha linda!) e sempre foi uma pessoa de tendências. Lembro-me de quando ela montou uma loja de confecções no imóvel onde um dia abrigou o Clubinho Raul Seixas. Foi lá que eu adquiri a minha primeira calça jeans… Um luxo!
E já que estamos falando de pessoas bacanas, vale pincelar o grande amor que eu tenho por Dinha (Didiu de Otoni). Minha mãe do coração. Minha e dos meus sobrinhos Juarezinho, Cristiane, Caliane e Camila. Dinha sempre foi muito devotada e carinhosa, além de ser muito linda. Na casa de Dinha sempre tinha merendinhas gostosas (chiringas, bolo de forma e requeijão).
Nessa toada, evidencio o meu irmão e padrinho Juarez Novato e minha cunhada e madrinha Cida Borges. Meu irmão foi prefeito de Pindaí por duas gestões e isso muito me orgulha (eu achava chique ser irmã de Prefeito) e teve a sorte de se casar com uma Borges tão especial, tão elegante e tão fina como Cida Borges! Vou confessar que sempre admirei a minha madrinha e me lembro, nitidamente, do seu cabelo cheio de bobs. Eu gostava dos bobs coloridos e presos com grampos (que a gente chamava de “misse”). Também me lembro dos seus vestidos longos e coloridos na época em que estava grávida da minha linda sobrinha Camila. Passava elegante defronte à casa de Seu Hermógenes e Dona Otacília rumo ao Funrural, onde ela trabalhava. Nessa época eu contava 13 anos e o ano era 1977.
E são tantas as pessoas bacanas: Verbena de Vavá, Dalva de Mozart, Vanora, Lourdinha de Seu Tião Calango, minha madrinha de crisma Marinalva, Iaiá (mãe de Dida e Dola), Lita de Bala Seca, Cleusinha de Bala-Seca, Lourdinha de Tiãozão, Maria Borges, Ana de Dona Anísia, Vânia de Joaci (mãe da linda Isana), Dona Danúsia (amo Dona Danúsia), e tantas outras…
Portal Pindaí - Você como estudante do CEP chamava atenção de colegas e professores por desempenhar com muita responsabilidade e inteligência seu papel de estudante. A experiência em Pindaí teve relevância na sua trajetória estudantil quando saiu daqui?
Jane - A minha experiência estudantil em Pindaí foi fundamental para as novas e futuras jornadas que se iniciaram doravante. Como mencionado anteriormente, eu fui muito estimulada e até hoje carrego comigo as lições daquela época.
A verdade é que na vida a gente precisa de estímulo para desenvolver melhor o nosso dom e, motivação, era o matiz da equipe docente do CEP naquela época. Nós, alunos, nos sentíamos muito valorizados.
Portal Pindaí - Tenho muitas recordações do período que você praticamente morou comigo, Dida e a família que construímos na Escola Ana Angélica. Nunca me esqueci de sua colaboração com o trabalho daquela instituição de ensino e de tudo que pudemos vivenciar… Que tal voltar ao túnel do tempo? Afinal, recordar é viver…
Jane - É verdade, recordar é viver, e só revive quem viveu…
Eu morei dois anos consecutivos em Pindaí (1976 e 1977) e logo após fui morar em Salvador com a minha irmã Jerusa, uma pessoa a quem devo as maiores honrarias e gratidão, pois foi a minha maior provedora. E logo após fui morar em Belo Horizonte. Retornava a Pindaí somente no período de férias escolares e, no cômputo do tempo, transcorreram cinco anos desde a minha partida definitiva, quando uma coisa inacreditável aconteceu: O ano era 1983 e eu estava recém chegada de Belo Horizonte quando me inseri em um Mundo chamado “Escola Ana Angélica”. Andava inicialmente sorumbática com o deslinde da minha vida acadêmica a partir de então, pois tinha feito vestibular para o curso de Farmácia na UFMG e logo após constatado que a escolha tinha sido um equívoco. Não sabia o que a minha vida ia ser a partir de então… Mas o que Deus risca ninguém rabisca como veicula a sabedoria popular, e foi aí que tudo aconteceu…
Eu precisava me ocupar de alguma maneira e imediatamente passei a frequentar a Escola Ana Angélica como colaboradora, sob o seu incentivo, Lia. Eu era uma espécie de faz-tudo na escola (desenhava, colava, pintava, ajudava com as crianças e adorava a merenda escolar). Eu sempre tive uma adaptabilidade invejável e em muito pouco tempo eu já integrava a família “Ana Angélica”. E foi nesse período que aflorou a artista plástica adormecida dentro de mim. Aliás, isso aflorou em todas nós: eu, você e Dida. Que tempo maravilhoso aquele de redecorar a escola com bichinhos de camurça e cartazes temáticos! Preparar as festinhas de estilo (Dia das mães, Dia das Crianças, Folclore, Natal, e por aí vai…) e nos superarmos a cada evento.
Lia, você se lembra dos convites artesanais que preparamos para as mães naquele ano? Todo recortadinho com colagens minúsculas de passarinhos, corações, notas musicais e a mensagem escrita em letra cursiva caprichada? Tudo bem, tudo lindo, mas eram dezenas de convites… E a gente ficava com as mãos calejadas pelo uso contínuo da tesoura… E os potinhos e pratinhos de barro do São João? Você comprou centenas e nós tínhamos que pintá-los detalhadamente com os símbolos do São João (fogueira, bandeirolas e o “Viva São João” e “Lembrança da Escola Ana Angélica”). Foi uma loucura! Trabalhamos um longo período nesse projeto e tudo ficou tão lindo no final que a gente até se esqueceu do preciosismo de Dida quando nos obrigava a dar o acabamento final em todas as bandeirolinhas com o contorno preto. Por muitos anos, acho que até a sua partida, a minha mãe, Dona Dé, guardou um desses potinhos.
Uma lembrança linda que eu tenho da Escola Ana Angélica: Cantiga de Criança. E como a gente e as crianças cantavam. Lourdes de Seu Otacílio tinha uma turminha, acho que de 2ª série, e cantava a música da barata (“Pisa na barata, machuca essa danada, que agora eu vou dançar com a minha namorada”) e as crianças faziam a ciranda para cantar e dançar- e cantavam tão bonitinho - Muitas das músicas infantis que eu aprendi na Escola Ana Angélica foram repassadas e ensinadas aos meus filhos, anos depois.
A hora da merenda merece ser narrada, por digno de relevo. Glutona como sempre fui, eu adorava a merenda escolar, principalmente a farofa de PTS (soja texturizada) porque era bem temperadinha por Dinha (Didiu de Otoni), D.Terezinha (mãe de Vânia e Galo-Cego) e Julinha (mãe de Cleide e Celeide). Lembro-me como se fosse hoje das folhinhas de coentro fresco da horta de Dona Anísia na farofa vermelhinha, tingida de urucum. E as crianças se fartavam com tanto capricho e tanto carinho.
As festas escolares é um capítulo que merece ser gizado. Você se lembra do folclore, Lia? Eu mergulhava tanto no projeto que, às vezes, exacerbava. Foi o que ocorreu na festa do ano de 1983. De tão empolgada que fiquei, arregimentei de uma só vez todas as antiguidades da minha mãe Dona Dé (roda de fiar, tear, tacho de cobre, chinelinhas para montaria, etc) e fui me equilibrando rumo à escola numa cena dantesca. Eu mais parecia um carro alegórico com tanta tralha. E ainda ouvimos de Galo-Cego: “Isso aí vocês não colocam no jornal, não é?” Aquele ano foi criativo e muito produtivo para nós, eu creio, pois se não bastasse tanta criatividade nos eventos e na decoração da escola, nós resolvemos criar e fundar um jornal. E foi aí que nasceu o “NASCENTE” (hiperbólico, não?) O jornal era muito artesanal. Era rodado em mimeógrafo e a matriz era em papel estêncil totalmente datilografada por Dida. Eu e você éramos redatoras. O Nascente surgiu timidamente e com poucas tiragens, mas não demorou muito para tomar uma proporção impressionante. Todos na cidade aguardavam ansiosamente as edições recheadas de notícias, recadinhos, entretenimento e fofocas… E aí haja criatividade… Todos da cidade eram uma vítima em potencial dos comentários e dos olhares vigilantes das redatoras do Nascente. Nada escapava… Brigou, chorou, bebeu, casou, nasceu, chegou… Na semana seguinte estava lá, registrado no Nascente.
Numa certa ocasião nós recebemos a visita do Deputado Sérgio Brito, filho do saudoso Deputado Henrique Brito (que era muito amigo do meu irmão Juarez e do meu pai Tudinho) e ele soube da existência do nosso Jornal Nascente e nos presenteou com um mimeógrafo. Foi uma alegria esse presente! Mas o interessante é que, anos mais tarde, encontrei-me com o Deputado Sérgio Brito em um evento social de inauguração do Salvador Shopping e contei-lhe sobre o mimeógrafo (ele era o Secretário de Governo do Município de Salvador e o meu marido Paulo Meireles era o Superintendente da SUCOM - Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo de Salvador -ambos trabalhavam juntos na mesma gestão). Ele e a esposa ficaram encantados com a história e ainda mais sabendo que o mimeógrafo existe até os dias atuais e sob os cuidados criteriosos de Dida - nossa depositária fiel.
Outro marco do Nascente foi a entrevista concedida pelo meu conterrâneo Waldick Soriano. Ele tinha vindo a Pindaí para visitar Dona Neném (mãe de Dona Verbena) que tinha sido casada com o pai dele e o tinha criado. Foi um alvoroço… Adentramos o casarão de Dona Verbena e nos deparamos com a celebridade. Juro que eu fiquei muito emocionada. Waldick Soriano foi muito simpático e receptivo e ainda respondeu a todas as nossas perguntas. Esse exemplar do Nascente é um marco histórico. Eu amo o Waldick Soriano e a sua música “Tortura de Amor”, uma das mais belas da nossa MPB.
A Escola Ana Angélica ficava situada em uma das ruas principais de Pindaí denominada também de Ana Angélica. Nessa rua morava Dona Inês, que era a Vice-diretora do colégio, Biduga, Dona Vininha, Lita de Bala-Seca (morro de saudades das chiringas e chimangos feitos por Lita), Maurita, Dalva de Mozart, Dona Anísia, Lia de Sula e Zetinha (à época ela era casada com Wilson Borges, meu grande amigo). Zetinha é neta de Dona Dudu e Seu Jorge (muitas vezes a gente ia comer requeijão quentinho na fazenda de Dona Dudu). Zete era uma pessoa muito bacana para comigo e a sua casa era parada obrigatória. Lá sempre tinha batatas fritas e os discos do momento. Wilson adorava Rita Lee que estava no auge com o seu disco antológico “Flagra”. Eu sinto muitas saudades do meu amigo Wilson Borges…
E teve o dia em que eu ganhei uma motocicleta do meu pai Tudinho (sempre tão sovina!). Imagine o delírio… Meu sobrinho Juarezinho me ensinou a pilotar. E aí a novidade era ir para a Escola Ana Angélica de moto. Só que eu, inexperiente, deixava o motor morrer a todo o instante e as crianças da escola se deleitavam empurrando o veículo para pegar no tombo. Na semana seguinte o episódio estava registrado no Nascente.
Não posso deixar de registrar o trabalho educacional que você desenvolveu na Escola Ana Angélica, Lia. Você foi de uma singularidade extrema. Não imagino e não concebo a história do Município de Pindaí sem a sua atuação como educadora e como motivadora. E o resultado é flagrante! A maioria dos grandes talentos dessa cidade receberam o seu incentivo e o seu ensinamento. Você foi e você é uma verdadeira mecenas da Educação!
E com tantas vivências e alegrias o ano de 1983 findava. Tem também histórias de dores e de amores que eu me reservo o direito de não narrar para que se evitem constrangimentos ou mágoas nos consortes que advieram depois. E aí eu fui para Salvador prestar o vestibular para Direito. Meus pais também se mudaram para Jequié naquele ano e, aparentemente, tudo acabou… Mas o que a gente não sabia é que tudo recomeça e neste junho de 2011, vinte e oito anos depois, eu estive em Pindaí, numa visita breve e tímida, quase imperceptível, para trazer na algibeira parte de um dos momentos mais expressivos da minha vida…
Portal Pindaí - Apesar de tudo isso, você teve que nos abandonar e seguiu para a “Bahia grande” para dar continuidade aos seus estudos. Como foi sua trajetória a partir daí?
Jane - No final de 1983 eu prestei o vestibular para Direito na UFBA e, felizmente, tive êxito. A partir daí fui me aprimorando no mundo jurídico e me especializei em Direito Urbanístico. Tenho 26 (vinte e seis) anos de serviços públicos efetivamente prestados. Adquiri, no decorrer dos anos, graças a Deus, certa respeitabilidade no desempenho do meu mister.
Portal Pindaí - Como foi sua entrada no mundo do trabalho? O que faz atualmente?
Jane - Em 1985 iniciei o meu primeiro estágio, como estudante de Direito, na RENURB- Companhia de Renovação Urbana de Salvador (Sociedade de Economia Mista do Município de Salvador). Logo após fui alçada a Auxiliar Técnica na mesma companhia. Foi na RENURB que eu passei a me interessar por Direito Urbanístico. Também fui Assessora do Vice-Prefeito de Salvador, Dr. Waldir Régis e Diretora da Câmara de Vereadores do Município de Lauro de Freitas. Nessa cidade laborei como Procuradora especializada em Direito Urbanístico, Procuradora Fiscal e mais tarde Procuradora Geral (chefiei uma equipe de dezessete Procuradores especializados e doze auxiliares). Fui ainda Consultora Urbanística no Município de Camaçari por mais de 08 (oito) anos (muitos dos grandes empreendimentos do Litoral Norte da Bahia foram por mim analisados e posteriormente aprovados). Fui consultora urbanística do Município de Candeias e colaboradora da Revista JAM-JURÍDICA - de Direito Municipal - por mais de 10 (dez) anos. Contribui também com inúmeros artigos jurídicos publicados em revistas jurídicas especializadas e atualmente sou Procuradora Geral do Município de Mata de São João (Município que agrega praias famosas como a Praia do Forte, Imbassaí e Costa de Sauípe), chefiando uma equipe de 05 (cinco) Procuradores Especializados e 04 (quatro) Auxiliares.
Portal Pindaí - O casamento com Paulo, além de representar uma etapa nova em sua vida, trouxe de presente para vocês dois filhos maravilhosos. Como é a vida de Jane esposa, advogada brilhante e mãe?
Jane - Sou casada há 23 (vinte e três) anos com Paulo Roberto de Assis Meireles, pessoa pela qual tenho muita admiração e respeito. É um grande profissional que goza de muita respeitabilidade na Bahia. É arquiteto e especialista em Gestão de Cidades. Dentre os diversos cargos públicos que ele ocupou destaco o de Superintendente de Ordenamento e Uso do Solo de Salvador - SUCOM. Atualmente é Secretário de Planejamento e Meio Ambiente do Município de Mata de São João-Bahia.
Tenho dois filhos maravilhosos: João Paulo Novato Meireles (21 anos e estudante de Engenharia Mecânica da UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto-MG) e Patrícia Novato Meireles (18 anos e estudante de Jornalismo da UFV - Universidade Federal de Viçosa-MG). Sou muito amiga dos meus filhos e adoro desempenhar o papel de mãezona. São meninos bons, centrados, respeitosos e que me dão muito orgulho pelas atitudes que adotam. Ambos estudaram fora do Brasil por um período considerável e isso sobrelevou as características marcantes de cada um. São responsáveis, tolerantes, generosos e muito independentes! Ambos tocam instrumentos musicais. Adoro cozinhar para os meus filhos. Adoro viajar com eles! Amo os meus filhos.
Portal Pindaí - Você deixou grandes amizades em Pindaí e tem muita gente que se recorda de Jane com admiração e saudade. Mande um recado para esse pessoal.
Jane - Os meus amigos não podem mensurar o grande respeito e a grande admiração que tenho por eles. Amo Pindaí, nem sei descrever… Gostaria de externar a minha imensa gratidão por todos aqueles que, de alguma forma, escreveram comigo grande parte da minha história. Peço perdão àqueles que não foram mencionados, mas nem por isso são menos importantes. É que, mesmo privilegiada, a memória pode falhar…
A você Lia, meu eterno carinho e admiração. Muito obrigada pela oportunidade de relembrar e reviver momentos preciosos que marcaram a minha vida e a minha existência.
Portal Pindaí – Muito obrigada Jane, pela entrevista! Você conseguiu, através de suas respostas, nos transportar para um período que foi marcante em todos os aspectos para a vida daqueles que estiveram presentes em Pindaí, numa fase de grande aprendizagem e adaptação, no enfrentamento do novo, como o Centro Educacional de Pindaí que estava começando uma etapa nova na educação do município, nos desafiando a estudar e dar o melhor de cada um de nós e da Escola Ana Angélica, também iniciando uma fase nova, com novos valores! Incrível como você detalhou tantas coisas simples e aparentemente sem importância para aqueles que não têm latente a sensibilidade aguçada para a simplicidade dos gestos! Como é bonito constatar que de pequenos ensinamentos, você conseguiu tirar grandes lições…
Vinicius de Moraes disse que “mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações, pois boas lembranças são marcantes e o que é marcante nunca se esquece! Uma grande amizade, mesmo com o passar do tempo é cultivada assim!”. Sempre tive muito orgulho de pertencer ao rol de suas amizades e de ter sido um tijolinho na construção de sua vida! Tenho comigo alguns retalhos das histórias que você contou. Por exemplo, certo caderno de desenho usado para ilustrações nas nossas aulas de Inglês, poemas lindamente redigidos, modelo de cartão utilizado no “Dia das Mães”, potinhos pintados e até o registro daqueles “débitos” da cantina, num caderno cuidadosamente guardado! (risos).
Tenho certeza que você queria escrever muito mais e que não se esqueceu da velha bicicleta, da corrida para se livrar do mudo, cheia de tralhas que conduzia, da coluna especial do Nascente, denominada de “Detefon” que detonava a vida de todo mundo e dos horóscopos que escrevíamos direitinho, após pesquisar fatos e o signo das vítimas… Bons tempos Jane, que me levam a um trecho da canção de Ataulfo Alves, “eu era feliz e não sabia…”
Parabéns pela sua trajetória, nada mais do que fruto do merecimento de uma jovem inteligente, consciente e responsável! Além de todas estas qualidades, você é uma pessoa sensível e como companheira, coloca todos aqueles que a cercam numa posição de privilégio. Feliz ano novo amiga, ao lado de Paulo, João Paulo e Patrícia e de todos aqueles que habitam seu coração bonito e generoso!
Obrigada pelas suas palavras de carinho e incentivo dirigidas a mim particularmente! Você sabe melhor do que ninguém quanto isso toca nos meus sentimentos e aumenta em escala crescente todo o amor, carinho e afeição que sinto por você. Saiba que aprendemos muitas vezes a dar valor na vida, quando as pequenas coisas que acontecem tornam-se lembranças para marcar não apenas um dia, mas para sempre. Você marcou momentos importantes e inesquecíveis na minha vida… Espero por você brevemente.
Lia Borges – www.portalpindai.com.br
